11 de julho de 2026
Viver

Membros do governo Bolsonaro criticam retirada de trechos racistas em obra de Monteiro Lobato

Por Da Redação |
| Tempo de leitura: 2 min
Monteiro Lobato

A reedição de livros do escritor taubateano Monteiro Lobato, com a supressão de trechos considerados racistas, através da bisneta dele, vem sendo elogiada por vários setores da sociedade. Mas não por integrantes do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

O secretário de Cultura Mario Frias e o presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo usaram as redes sociais para criticar a medida. Camargo afirmou que Lobato não era racista e que "nenhum preto pediu" o que ele chama de "mutilação da obra" do escritor. Negro, Camargo já criou outras polêmicas sobre o racismo desde que assumiu o cargo.

Cleo Monteiro Lobato, bisneta do autor, anunciou este mês que a nova edição de “A Menina do Narizinho Arrebitado” que ela prepara teria alterações, como a exclusão do trecho que dizia que Tia Nastácia, personagem negra, “trepou que nem uma macaca de carvão”.

"A gente queria uma versão atualizada, cujo teor fosse compatível com os valores sociais contemporâneos, mas que mantivesse o estilo do Lobato”, disse a herdeira, ao jornal Folha de S.Paulo.

Mario Frias considerou como “absurda” a edição da obra de Lobato. "Quantos livros e histórias maravilhosas que embalaram minha infância. [Que] vergonha!", escreveu o ex-ator global.

Camargo continuou com mais uma série de publicações no Twitter, acusando a esquerda de ser mais racista que Monteiro Lobato e classificando quem defende a supressão dos termos como "nutella", "ofendidinho" e "afromimizento".

"A esquerda mutila Monteiro Lobato e recomenda Felipe Neto para crianças", diz o último post do chefe da fundação do governo federal.

Críticos literários e o movimento negro criticam a obra de Lobato, principalmente, pela construção racista da personagem de Nastácia e pelas descrições preconceituosas a que ela é submetida em algumas das obras.

Nem todos, contudo, defendem que a supressão de trechos problemáticos seja a melhor solução. Para alguns, uma contextualização crítica da época e das ideias de Monteiro Lobato seriam uma alternativa preferível. Outros leitores, ainda, identificam racismo no trabalho do escritor, mas defendem que se preserve a íntegra das obras como elas foram escritas.