08 de maio de 2026
Viver

DIFERENÇAS IDEOLÓGICAS DESAFIAM AS RELAÇÕES

Por Marcos Eduardo Carvalho@marcosovale78 |
| Tempo de leitura: 2 min
OAB, relacionamento, maradona e EUA

Cada pessoa tem uma maneira de ser e de pensar. Cada um tem uma característica própria e muitos casais vivem e convivem com as diversidades. Mas, e quando a diferença é ideológica? Como os casais podem fazer para superar isso e se compreenderem sem criar um conflito entre nenhum dos dois lados?

Em tempos de eleição e de acaloramento das discussões políticas, muitos casais acabam enfrentando problemas.

Para Sônia Maria de Oliveira, psicóloga, doutora em psicologia pelo Núcleo de Família e Comunidade pela PUC-SP e especialista em atendimento de casais e famílias, é preciso sempre dialogar e saber ouvir o outro.

"Temos que esclarecer que as pessoas se atraem, umas pelas outras, pelas diferenças. E pelas mesmas diferenças, elas podem se separar", disse Sônia.

"Quando falamos de ideologia política, é bem mais complicado, pois estamos falando de um 'apaixonamento' que as pessoas têm por um conjunto de ideias e as pessoas falam que política e religião não se discute, mas é o que dá muito papo. E a gente nunca viveu tanta divisão nas famílias como atualmente no Brasil".

Segundo ela, apesar das diferenças, é possível o casal pode se manter junto.

"É um assunto que, para que eles possam falar, terão que ter uma colaboração, não uma competição. O que é isso? Se eu quero convencer você de que o que eu penso é mais importante, esclarecedor, ou mais certo do que o que você pensa, então eu estou competindo e um anula o outro", afirma.

"Eu posso não concordar, mas posso te ouvir sem te interromper, sem apelar para uma briga. Pode até ser que ninguém saia daquela conversa convencido do ponto de vista do outro, mas sai muito mais competente pela possibilidade de se falar, de se discutir e de se conviver pensando diferente", completa.

A também psicóloga Rosana Pena, de São José, especialista em psicologia Junguiana e Sexualidade Humana.

Mestre em Psicologia Clínica, segue a mesma linha de pensamento sobre a convivência com ideologias diferentes.

"Sim, é possível. Desde que ambos se respeitem e respeitem as diferenças e individualidades de cada um. O casal pode ter objetivos comuns e desejos a serem realizados, mas é vital para a relação que cada um se veja como um indivíduo, com particularidades, peculiaridades e pontos de vista próprios. Quando o casal não respeita os limites próprios de suas subjetividades isso costuma gerar cobranças e ressentimentos", disse.

Segundo ela, a palavra-chave é "flexibilidade". Se ambos estiverem abertos a escutar e considerar o ponto de vista do outro, podem aprender e refletir sobre vários aspectos. As diferenças vêm para somar, desde que haja disposição para o novo, para o diferente. É preciso ver o outro como ele é. E não como gostaria que fosse", disse Rosana..