O marido é mais caseiro, gosta de receber os amigos eventualmente e descansar. A esposa, por sua vez, é mais agitada. Gosta de sair, viajar, passear. Ou, vice-versa. Situações opostas no dia a dia, que são bastante comuns entre muitos casais. Mas, como conciliar essas situações antagônicas sem criar nenhum tipo de conflito?
Para especialistas em comportamento, saber respeitar a individualidade do parceiro ou parceiro é fundamental.
"É muito importante pensarmos que antes de serem um casal, as pessoas têm as suas individualidades. E deixar de ser quem é para agradar ao outro pode trazer grandes prejuízos para o bem estar emocional do indivíduo. Porém, quando se assume um compromisso com uma pessoa, é necessário ter a consciência de que temos combinados e é necessário ter responsabilidade afetiva com o outro", afirmou a OVALE a psicóloga Marcelle Portugal, de São José dos Campos.
A psicóloga lembra ainda que as pessoas são diferentes em um contexto geral.
"Consequentemente, as diferenças fazem parte dos relacionamentos. O que é muito importante é identificar se essas diferenças ferem os meus valores pessoais. Se sim, vale a pena uma boa conversa com o seu par para expor como se sente em relação a determinadas situações", disse.
Para ela, o autoconhecimento é o primeiro passo para conseguir manter um bom relacionamento com o outro. "Analisar a sua bagagem emocional, separar o que é seu e o que é do outro é a chave para estabelecer um relacionamento saudável, além de sempre manter uma boa comunicação, expondo de uma maneira clara e assertiva os meus pensamentos e sentimentos sobre essa relação", afirma a especialista da região em entrevista ao OVALE.
OPOSTOS.
Diz o velho ditado que 'os opostos se atraem'. Porém, segundo Marcelle, isso não é tão verdadeiro. "Essa é uma percepção do senso comum, o que pode até ser válido por um tempo. Porém a longo prazo, pode ser que alguns conflitos sejam gerados, exatamente por ambos terem uma visão de vida muito distintas. As afinidades também são importantes nas relações", disse.
Patrícia Santos, consultora e especialista em Anger Management (Gerenciamento da Raiva), pela National Anger Management Association, de Nova York (EUA), endossa a opinião.
"Todo mundo costuma dizer que, em um relacionamento, os opostos se atraem. Em um primeiro momento, isso até pode ser verdade, mas, se pensarmos em longo prazo, pode haver problemas. Podemos dizer que os opostos se atraem sim, mas não se mantém unidos", disse. "Se um gosta de Praia e outro se Serra, por exemplo, toda viagem vai desencadear uma negociação, um debate, que muitas vezes não vai acabar em um consenso e acaba desgastando a relação", exemplifica.
Patrícia lembra que nem sempre é possível ter 100% de afinidade, mas o contrário pode ir levando cada um para seu próprio caminho. "Enquanto menos perceberem, já estão distantes um do outro".
COMPETIÇÃO.
A especialista em comportamento ainda diz que que muitos relacionamentos acabam entrando em conflito pela competição. "O mundo ficou mais competitivo e as pessoas acabam esquecendo que a competição tem que ficar do lado de fora de casa e não de dentro. Os casais competem, muitas vezes, pela atenção dos filhos, competem entre quem ganha mais, qual das famílias de origem é a melhor, etc. Toda vez que existir competição, a cooperação deixa de existir", afirma.
Segundo ela, há uma questão a ser analisada pelo casal, que é o quanto cada um está "mais fechado a novas ideias", é mais "turrão" ou teimoso. "É superinteressante que eu abra minha mente e seja mais flexível para conhecer novos restaurantes, novos sabores, novas culturas, de acordo com gosto do outro também".
"Todo casal que gosta de viajar e conhecer coisas novas, diferentes, em lugares diferentes, até diferente daqueles que eles costumam ir, são casais que se divertem mais. São casais que conseguem resolver de uma forma muito mais criativa", disse. "Um relacionamento só tem sucesso quando os dois querem crescer e um quer ver o sucesso do outro"..