Até 2025, a velocidade média do tráfego na região do Arco da Inovação, em São José dos Campos, vai cair 25%.
A informação está no laudo pericial feito pelo Departamento da Área de Engenharia Ambiental e Urbana da UFABC (Universidade Federal do ABC) e foi destacada em parecer do CAEx (Centro de Apoio Operacional à Execução), órgão técnico ligado ao Ministério Público.
Segundo o estudo, caso o Arco da Inovação já estivesse pronto em 2018 (a ponte estaiada só foi liberada para tráfego em abril de 2020), a velocidade média seria de 30,53 km/h. Sete anos depois, cairia para 22,44 km/h, abaixo da velocidade média (24,03 km/h) verificada no cenário de 2018 sem nenhuma intervenção. Ou seja, em 2025, mesmo com a obra, o trânsito na região será mais lento do que era em 2018, quando não havia a ponte estaiada.
A perícia foi feita no processo em que o MP e a Defensoria Pública contestam a eficácia do Arco da Inovação. O estudo da UFABC também apontou que a obra “perderá a qualidade de suas funções já a partir de 2025” (ou seja, em pouco mais de quatro anos já não será capaz de desafogar o trânsito no local), e que a ponte estaiada, que custou R$ 60,972 milhões, tem capacidade de absorver apenas 12% a mais de veículos do que um cenário em que fosse realizada apenas otimização semafórica. O laudo também apontou que, além de não propiciar ganhos ao transporte público, o Arco ainda deve aumentar o tempo das viagens de ônibus em 23% até 2028.
Protocolada em dezembro de 2018, a ação visava impedir a construção do Arco. Como a obra já foi concluída, o MP pede agora que a Prefeitura seja obrigada a realizar um projeto básico e executivo para prever um conjunto de intervenções para tentar evitar a saturação de tráfego em 2025 e o prejuízo ao fluxo do transporte coletivo.
Governo Felicio contesta perícia e pede novo estudo após o fim da pandemia
Também em manifestação feita à Justiça esse mês, o governo Felicio Ramuth (PSDB) voltou a apontar supostas falhas no laudo da UFABC, como já havia feito em agosto. Segundo a gestão tucana, a perícia deixou de analisar outras mudanças feitas pela Prefeitura no trânsito da região, como melhorias semafóricas, reformulação da rede de transporte público, implantação de sistema cicloviário e intervenções em vias.
O governo Felicio pede que seja realizado um novo estudo, presencialmente (o laudo foi feito usando programas especializados, com base em dados fornecidos pela Prefeitura), após o fim da pandemia, quando o trânsito estará normalizado.