08 de julho de 2026
Viver

Gastronomia plant base

Por Kadu Giacomini |
| Tempo de leitura: 3 min
Giacomini

Já imaginou o seu prato com proporções invertidas?

Ou seja, seria um prato com menos proteína animal, ovos, lácteos. E já deixo aqui minha pergunta: seria necessário ter carne no prato para ter sabor?

Ou seria só um sabor de memória que trazemos lá da infância? Mas é sempre tempo e hora de repensar e adotar novos estilos de vida.

Não sou vegano ou vegetariano e nem quero aqui ser partidário, mas preciso dizer que o mundo está mudando e especialistas em alimentação defendem a necessidade urgente de reduzirmos a quantidade de carne que comemos.

E para mim, os chefes que não sabem trabalhar com todos os tipos de alimentos criando camadas de sabores sem a utilização de proteína animal, devem repensar sobre as suas técnicas e sair da caixinha da 'old school'. Afinal de contas, fica fácil quando temos "muletas" ao nosso lado como as carnes sendo a protagonista do prato e vegetais sendo os figurante no acompanhamento. Porque não o oposto?

É triste saber que as pessoas deram aos restaurantes veganos e vegetarianos estereótipos pensando que irão se sentar em mesas de bambus com incensos para todos os lados, música de reggae etc, achando que restaurantes que dão atenção a comida sustentável não existe qualidade.

Por isso que vale a pena olhar para o caso do famoso e estrelado chef francês Alain Ducasse, que reabriu o seu restaurante de três estrelas Michelin, no luxuoso hotel Plaza Athénée, em Paris, com um menu essencialmente vegetal e biológico. Não é uma opção radical, porque haverá peixe (proveniente da pesca sustentável), marisco e alguma carne, mas muito pouca.

Não apenas chefes de cozinha, mas todos nós deveríamos usar os alimento na sua integralidade e sem desperdícios, ter e oferecer experiências gastronômica sem que a carne mais uma vez seja a estrela. Não importa se é restaurante italiano, vegano ou vegetariano, ter domínio e inteligência para saber trabalhar com qualquer alimento é fundamental.

E nós, como clientes, deveríamos abrir os âmbitos e não apenas ficar presos ao mesmo e sair da caixinha e dar chance e oportunidade para cozinhas mais sustentáveis sem fazer caras e bocas e acabar com o trauma que desenvolvemos um paladar errado e forçado sobre os vegetais na nossa infância, onde éramos obrigados a comer os legumes que muitas das vezes vinham cozidos de maneira errada, um brócolis marrom de tanto tempo cozinhando na panela, sem gosto, aguado e sem sal.

Não estou aqui pedindo para ninguém se tornar vegetariano ou vegano, mas estou deixando aqui uma reflexão sobre excessos que deveriam ser pensados sobre os impactos que isso provoca ao nosso mundo e sobre as tendências que estão chegando como os restaurantes Plant Base (a base de plantas) que gira em torno de plantas: frutas, verduras, grãos integrais, nozes, castanhas, sementes, feijões e leguminosas, cada vez mais fortes.

Também nós, chefs e donos de restaurantes; devemos pensar melhor neste público que vem crescendo e criando forças todos os dias, dar a eles opções inteligentes nos cardápios e não oferecer apenas legumes ao vapor como prato vegetariano. Não, não, nãooooo aceito.

Um exemplo: o Tofu, que é um alimento feito a partir de feijões de soja, água e um agente coagulante, é uma excelente fonte de proteína e de cálcio, a manteiga de milho, estrogonofe de cogumelos vegano, quibe de quinoa com abóbora, bolo de banana com cobertura de chocolate vegano e por aí vai. Se você quiser mais receitas, acesse o QR code com o link da Juliana Palma (@palmavegan) que é joseense, criadora de conteúdos, fotógrafa gastronômica e food stylist, especializada em culinária vegana. Vale muito a pena conferir! Seja como for, não sejamos radicais. Permita-se!