Um casal se conhece, se apaixona e resolve se casar. Porém, um deles já tem um filho de um relacionamento anterior. Naturalmente, esse filho (que para o outro parceiro é um enteado) vai conviver com o padrasto ou madrasta no dia a dia. Uma responsabilidade e tanto para o casal. Para o pai/mãe fica a expectativa se o parceiro aceitará a criança. Do lado do padrasto/madrasta também fica a ansiedade de saber se vai conseguir conquistar o enteado.
Nestes casos, qual o 'segredo' para que tudo flua bem e todos vivam felizes e em harmonia?
Para a psicóloga Denise Camargo, de São José dos Campos, o padrasto ou madrasta deve assumir o seu papel na relação. "Nunca tente ocupar o papel de pai ou de mãe da enteado. Tente respeitar e conduzir a educação no mesmo modelo que os pais o fazem, mesmo que você tenha uma opinião diferente da forma de educar. Se tiver que contribuir com algo, procure o parceiro e peça para refletir sobre uma concessão ou restrição para com o filho. Dialogar com franqueza, de forma aberta e saber ouvir", explica.
Segundo ela, é preciso de tempo para que uma relação afetiva aconteça. Por isso, segundo Denise, é preciso respeitar o tempo do outro, que pode ser diferente do seu em termos de aproximação e envolvimento.
"Entender que mesmo com muito tato, diálogo e respeito pode ser que não exista afinidade entre ambos e isso não é necessariamente um problema, desde que o enteado (a) respeite os limites da casa e os de convivência", disse a especialista.
"Para facilitar e incentivar a relação procure atividades que ambos apreciem fazer em família, descubra o que ele (a) gosta e faça perceber que você leva isto em consideração. Isto não significa 'bajular', pois amor não se compra", ressalta Denise a OVALE.
No dia a dia, diz ela, é importante estabelecer regras e limites desde o começo para que depois não precise voltar a traz podendo dificultar ou atrapalhar seus esforços para promover um bom relacionamento.
"Procure entender o outro, todos temos percepções, valores, características e costumes diferentes. Faça acordos com o parceiro antes para que ambos 'falem a mesma língua', como se diz. Quando você desautoriza o outro e adota comandos antagônicos, isto gera em crianças e adolescentes confusão e insegurança, reforça o comportamento de manipulação nos filhos, ou seja, 'birra', choro, recorre aquele que mais cede, chantagem emocional, gerando desentendimentos na família", afirmou.
"Mantenha um diálogo constante, sem mentiras, sem ceder a birras e demonstre que entende que algo não está bem e que você pode ajudar se ele quiser", conclui.
RESPEITO.
A também psicóloga Michele Bocchi Cavalcanti, de Caçapava, ressalta que todo relacionamento está baseado no respeito entre os familiares. "Sendo assim, a nova conjuntura familiar exigirá respeito entre os membros da família, sempre manter um bom diálogo para que todos saibam o pensamento de cada um, e principalmente os adultos não devem tirar a autoridade um do outro na frente da criança", diz Michele.
Segundo ela, o amor é um sentimento a ser desenvolvido e conquistado e isso acontece através da convivência em atividades de lazer, passeios entre outras e "não só as atividades do dia a dia como tarefas de casa", ressalta.
"No dia a dia o padrasto ou madrasta devem agir com o enteado como se ele fosse seu filho, ou seja, tratar com amor, carinho e respeito, não impor à criança algo de que saiba que a mãe ou pai não aprovaria e para isso é necessário muito diálogo entre o casal. Somente assim ambos juntos decidiram a melhor educação para essa criança. E novamente volto a afirmar não se deve desautorizar o parceiro na frente da criança", completa a psicóloga de Caçapava..