11 de julho de 2026
Viver

Produtores desabafam sobre filmes parados na Ancine, que aprovou um projeto em 10 meses

Por Agência O Globo |
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Ancine

Era começo de 2019 quando Alex Levy-Heller participou de um edital da Ancine com o intuito de captar recursos do FSA (Fundo Setorial do Audiovisual) para o lançamento de "A delicadeza é azul", um documentário sobre autismo. Com o valor de R$ 100 mil aprovado pela agência, o dinheiro chegou ao diretor em julho, três meses antes do lançamento, que seria realizado pela sua produtora, Pipa Pictures.

"Passamos por todos os trâmites. Mas às vésperas de lançar o filme, recebemos um ofício dizendo que a Ancine tinha cometido um erro e que o projeto não havia sido aprovado no processo de análise complementar", relata Alex, que afirma ter usado parte dos recursos. "O restante do dinheiro está congelado na nossa conta. A última resposta que eu tive foi que o projeto estava esperando uma reavaliação da Diretoria Colegiada".

Atrasos e dívidas

Na semana passada, a Ancine foi questionada pelo Ministério Público Federal por causa de um vácuo identificado na quantidade de projetos aprovados pela agência. No ofício emitido pelo MP, o procurador Sérgio Suiama argumenta que a Diretoria Colegiada da Ancine, entre agosto de 2019 e maio de 2020, deliberou apenas um projeto para recebimento de recursos do FSA.

Foi dado um prazo de 15 dias para que a agência esclareça os questionamentos feitos por Suiama. Ao GLOBO, a Ancine preferiu não responder sobre o assunto.

Enquanto isso, vão se acumulando outros projetos na fila de pendências eternas que se perdem pelas veias burocráticas da entidade.