10 de julho de 2026
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Cenário incerto: indústria registra negativos impactos

Por Bárbara Monteiro@barbara_ovale |
| Tempo de leitura: 4 min

Pesquisa realizada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) apontou que, em função da pandemia do novo coronavírus, 91% da indústria brasileira sofreu significativos impactos. Cerca de 76% tiveram que reduzir ou paralisar sua produção. Entre os setores mais prejudicados estão o de vestuário (82%), calçados (79%), móveis (76%), impressão e reprodução (65%) e a indústria têxtil (60%).

Segundo Marcelo Azevedo, economista da CNI, esta é uma crise nova, com efeitos novos. "As consequências da pandemia já foram fortes em março e abril. A velocidade de uma recuperação para o setor ainda é uma grande incógnita, já que depende de vários fatores que são incertos - como o avanço da doença e o relaxamento do isolamento social. Também será preciso avaliar como os consumidores irão se comportar após a liberação do comércio", disse Azevedo.

Já uma análise da equipe do Ibre (Instituto Brasileiro de Economia), da Fundação Getúlio Vargas, indica que esta crise industrial poderá ser uma das piores já registradas na história brasileira. Estudo feito pela fundação estima que ainda neste ano a produção industrial pode cair 8,2%. Renata de Mello Franco, economista da Ibre/FGV, acredita que agora é hora de refletir. "Já esperávamos que a indústria fosse impactada negativamente - uns setores mais do que outros. Mas, o que mais me surpreendeu foi a queda brusca nos segmentos de couro, calçados e vestuário. Isso mostra que os consumidores realmente focaram na compra de remédios e alimentos", avaliou.

Para a especialista, esta recessão será ainda pior do que a que aconteceu em 2009. "O país ainda estava recuperado-se do colapso de 2014 e 2016, antes da pandemia. Isso mostra que a indústria não tem um forte nível de ascensão", pontuou. "Agora, é essencial o Brasil observar onde ele está inserido na cadeia mundial de suprimentos e se está exercendo um papel mais de comprador do que de ofertante".

RMVale.

Responsável por 5% do PIB (Produto Interno Bruto) de São Paulo, o Vale do Paraíba também está sentindo os reflexos econômicos da Covid -19. O segmento industrial regional registrou uma diminuição de 80% na produção, segundo informação da ACI (Associação Comercial e Industrial), de São José dos Campos.

Tal realidade não era aguardada, uma vez que em datas comemorativas, como Dia das Mães e Natal, a expectativa era de um crescimento acima de 5% nas vendas do comércio.

"Fizemos diversas pesquisas em 2019, em parceria com a Universidade de Taubaté, e boa parte dos levantamentos mostrava um otimismo do empresário de São José com a retomada do crescimento, índice que atingiu 78%. A maioria estava apostando em novos investimentos e reforço dos estoques", destacou Eliane Maia, presidente da ACI.

Como exemplo, temos o mercado automobilístico. Enquanto pelo país era registrado um aumento de 21% nos últimos dois anos, a Volkswagen do Brasil, que conta com uma planta em Taubaté, apresentou um crescimento de 52% - cenário já não mais existente, segundo a montadora. "O que estamos fazendo é preservar o nosso caixa. Esta é uma crise inédita", informou a empresa por meio de nota.

Para a presidente da ACI é quase impossível 2020 apresentar uma recuperação.

Perdendo força.

Pesquisa realizada pela Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo) mostrou que 73% das indústrias irão precisar de crédito para capital de giro durante o próximo trimestre (leia no destaque).

"Esta é uma situação em que o estado não está sabendo manejar e está aplicando uma única medida para todas as cidades, sendo que cada uma tem sua peculiaridade", opinou André Rebelo, economista e coordenador do trabalho de retomada das atividades pós-pandemia da Fiesp.

Rebelo defende ainda que será preciso aprender a conviver com o vírus até aparecer uma vacina. "Não podemos ficar parados por mais tempo", pontuou.

Saída de emergência.

O Governo Federal lançou uma série de medidas que buscam apoiar os pequenos e micro negócios, considerados o segmento mais atingido pela crise provocada pela pandemia do Coronavírus.

Entre elas, o adiamento do recolhimento do imposto do Simples Nacional pelo período de três meses; o investimento no desenvolvimento de tecnologias capazes de dar suporte aos empreendedores; e a liberação de R$ 5 bilhões pelo Proger (Programa de Geração de Renda), que será repassado aos bancos públicos para que eles concedam empréstimos voltados a capital de giro das micro e pequenas empresas. Para mais informações acesse o site www.gov.br/economia/pt-br/acesso-a-informacao/perguntas-frequentes/covid-19.