Testemunha viva da história da televisão brasileira, que completa 70 anos no próximo dia 18, Lima Duarte estava no dia da primeira transmissão, na primeira novela exibida ("Sua vida me pertence", em 1951) e na primeira novela a cores ("O bem amado", em 1973).
"Eu trabalhava como operador de som na Rádio Tupi, em 1947. Tinha 17 anos. Um dia, disseram que vinha a televisão, e não tínhamos noção do que seria isso. Imaginávamos Jeca Tatu, do Monteiro Lobato. Quando ele fica rico, compra uma televisão para fiscalizar os trabalhadores no cafezal. Pensávamos: será que Chateaubriand quer fiscalizar a gente trabalhando aqui? Quando a televisão chegou, em 1950, fui buscar o transmissor em Santos. Quando foi ao ar, começamos a ver as imagens e foi uma coisa de louco, um encantamento. Estávamos diante de algo que transformaria o mundo das imagens, da informação, das ideias, que ia propor ideias, imagens e novos comportamentos.
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Não tinha ponto eletrônico, VT, nada. As câmeras pesavam 60 quilos e não se mexiam.Alguns atores não decoravam os textos. Um dia, estávamos fazendo ‘Monsieur Vincent’, sobre a vida de São Vicente de Paula. O Dionisio Azevedo, que fazia o inquisidor, não tinha decorado nada. Tive que fazer toda aquela pregação com o texto dele colado às minhas costas. Bradar contra a brutalidade e a estupidez, mas quietinho, sem mexer muito. A gente se virava como podia. Tenho 91 anos e sou o único ainda vivo que estava lá no primeiro dia. Foi romântico, bonito, me vanglorio de ter vivido esse momento. Eu fiz a televisão brasileira e fui feito por ela".
Leia o depoimento de Lima Duarte na íntegra aqui.