11 de julho de 2026
Viver

'Juma estaria pedindo socorro', diz Cristiana Oliveira sobre as queimadas no Pantanal

Por Agência O Globo |
| Tempo de leitura: 3 min
Atriz Cristiane Oliveira

Trinta anos depois de viver Juma Marruá na novela "Pantanal", Cristiana Oliveira quer, mais uma vez, emprestar sua voz a uma onça. Não apenas à onça, mas ao jacaré, ao tuiuiu e às pessoas que vivem naquele bioma, agora ameaçado pelas queimadas que o próprio ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, define como "gigantescas". Ao buscar contato com voluntários que estão combatendo os incêndios na região, a atriz recebeu e compartilhou, nas suas redes sociais, vídeos que a fizeram chorar. São imagens e relatos de animais carbonizados, terrenos antes alagados que agora lembram o sertão e ribeirinhos molhando casas para que não sejam engolidas pelo fogo.

"Aquele lugar é um patrimônio mundial. Obviamente que minha vida está ligada ao Pantanal por causa da novela, mas todos precisamos do Pantanal para respirar. E o que estamos vendo é o território sendo destruído por queimadas feitas pelo homem e que já devastaram 15% dessa nossa riqueza", afirma a artista ao GLOBO, no mesmo tom de urgência que o de brigadistas em vídeos que circulam pelo WhatsApp. "Se Juma fosse uma pessoa de verdade agora, estaria pedindo socorro, dizendo 'ajuda nós', com aquele jeitinho dela". 

Enquanto torce pelo sucesso do remake da novela da extinta Rede Manchete, anunciado recentemente pela Globo, a atriz quer aproveitar que os assuntos ligados à refilmagem estão em evidência para divulgar a importância de se preservar o ecossistema no Centro-Oeste do Brasil. Maior área úmida continental do mundo e lar de rica biodiversidade, o Pantanal vive um período de estiagem longo combinado a um número assustador de queimadas. Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), os incêndios naquela região cresceram 210% em comparação com o mesmo período do ano passado. São 14.489 focos de calor este ano, contra 4.660 registrados em 2019.

Torço muito pelo remake, acho que a Globo, com sua competência e experiência, vai fazer um trabalho lindo. Mas também me sinto na obrigação de associar o burburinho gerado pela notícia do remake à importância de se combater as queimadas", comenta a atriz. "Quando gravamos em 1990, num local a cerca de 100km da cidade de Aquidauana, no Mato Grosso do Sul, as queimadas já existiam, claro, mas não eram o problema que são hoje. O Pantanal que eu conheci tinha períodos de seca e de chuva bem definidos, o que já não é mais a realidade".

Hoje aos 56 anos, Cristiana Oliveira viu sua carreira decolar com o êxito de "Pantanal", sua segunda novela. Desde então, ela teve papéis de destaque em diversas outras, além de filmes para o cinema e peças de teatro. Mas a atriz criou laços afetivos com aquele bioma. Nunca se esqueceu do pôr-do-sol da região ou do céu coberto de estrelas à noite. Nem de quando ia até o Rio Negro e contava mais de 20 jacarés. A artista carioca vem sofrendo à distância com imagens de animais mortos ou lutando por sobrevivência. Ela cogita ir ao Pantanal para ajudar a expor a situação, mas, enquanto isso não acontece, pretende colocar a boca no trombone de casa mesmo.

"As queimadas são obra de pessoas egoístas, que estão pensando em dinheiro. É preciso puxar a consciência dos líderes para preservar o meio ambiente e combater o fogo na região, mas também dos cidadãos que provocam os incêndios", pondera Cristiana, que toma muito cuidado para não politizar o tema. "Não existe nem esquerda, nem direita. O que existe é o fato de que o mundo está perdendo um patrimônio natural fundamental. Que Pantanal vamos ter em 40 anos? É uma situação muito séria, que me dói o coração".