10 de julho de 2026
Viver

Morre Zuza Homem de Mello, aos 87 anos

Por Agência O Globo |
| Tempo de leitura: 2 min
Zuza Homem de Mello

Morreu, na manhã deste domingo (4/10), o jornalista e pesquisador musical Zuza Homem de Mello, aos 87 anos. Segundo familiares, o músico e escritor se despediu da vida enquanto dormia em seu apartamento no bairro de Pinheiros, em São Paulo.

A causa da morte foi um infarto agudo do miocárdio. O velório será reservado apenas a familiares devido à pandemia do novo coronavírus.

Recentemente, Zuza havia finalizado uma nova biografia sobre o músico João Gilberto, obra escrita em sigilo absoluto ao longo de dois anos. O material, ainda sem título definido, deveria ser lançado pela Editora 34 entre o fim de 2020 e o início de 2021.

"Tive um conhecimento valioso de João Gilberto, que poucos tiverem a chance de ter", ele afirmou, em entrevista publicada pelo GLOBO em setembro deste ano. "O fato de nunca tê-lo entrevistado talvez tenha sido uma das razões da nossa amizade ter sido profunda, densa e aberta. Ele não se sentia pressionado quando a gente conversava sobre futebol ou sobre a vida, por exemplo. Fosse por telefone ou pessoalmente".

Nome importante para a cena musical no Brasil, o homem batizado como José Eduardo (mas conhecido apenas pelo apelido Zuza) se formou na prestigiada Juilliard School, em Nova York, onde assistiu — durante os anos 1950 — a apresentações de nomes como Ella Fitzgerald, Billie Holliday e John Coltrane.

Baixista profissional, ele ingressou na TV Record após sua volta ao Brasil, atuando como técnico de som em programas que revelaram cânones da MPB, como "O fino da bossa", "Jovem guarda" e "Bossaudade". Foi a partir daí que Zuza passou a acumular uma vasta experiência como produtor e diretor musical, sempre à frente de festivais em todo o país, como o Free Jazz Festival e o Tim Festival.

Amigo de nomes como Nelson Motta, Caetano Veloso, Egberto Gismonti, Roberto Menescal, Tom Zé e Ruy Castro, além de João Gilberto, Zuza Homem de Mello deixa como legado obras referenciais sobre a música popular brasileira, como os livros "A canção no tempo" (escrito a quatro mãos, com Jairo Severiano), "Eis aqui os bossa nova", "Copacabana: a trajetória do samba-canção" e "A era dos festivais — Uma parábola".