08 de julho de 2026
Ideias

SOMOS O 'PATINHO FEIO'

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Échocante. Os moradores do Vale do Paraíba têm duas vezes mais chances de ser vítima de um homicídio do que o habitante da capital paulista. A região, como revela OVALE, é a recordista de assassinatos em São Paulo, de forma disparada, desde 2010 , de acordo com os dados oficiais da Secretaria de Segurança Pública paulista. Já são oito anos na ponta, infelizmente. O ranking é definido pela taxa de homicídios por 100 mil habitantes, índice usado para comparação de áreas de tamanhos diferentes. Na RMVale a taxa hoje é de 13,69 vítimas por 100 mil habitantes (de dezembro de 2016 a novembro de 2017) -- a menor desde 2008 na região, mas ainda é a mais alta do estado. Traduzindo: está ruim e acredite, já foi pior. A taxa média em São Paulo é de 8,06 e na capital é de 6,67, por exemplo. Muita diferença.

O problema é tão grave que a região concentra atualmente 11 dos 35 municípios recordistas de homicídios no interior de São Paulo, como revelou o editor-chefe de OVALE, Guilhermo Codazzi, no 'Direto da Redação' -- blog no site do jornal. No 'Top 10' estão as cidades de São José dos Campos, Taubaté e Jacareí -- respectivamente 3ª, 4ª e 10ª colocadas no ranking.

O ranking possui ainda outras oito cidades do Vale e do Litoral Norte: Lorena (14º), Caraguatatuba (15º), Guaratinguetá (18º), Pindamonhangaba (20º), São Sebastião e Tremembé (empatadas, 24º), Cruzeiro (32º) e Caçapava (34º). E olha que o índice de assassinatos em 2017, na comparação com 2016, caiu no Vale, cerca de 25% -- mais uma vez, é possível dizer que continua ruim, mas já foi pior.

E, pelo que o início de 2018 já deixa claro, a violência promete não dar trágua. São José, nesta terça-feira, viveu um verdadeiro dia de caos. Foram três assassinatos, além de um ferido nas zonas sul e leste. Já na região norte, uma perseguição policial terminou com um policial militar e um suspeito desaparecidos no rio Paraíba. As buscas pelos dois, encerradas ontem à noite, serão retomadas nesta quarta-feira pelos bombeiros.

Uma triste rotina.

OVALE revelou, em reportagem publicada em 2017, que só 1,87% dos novos policiais civis e militares são enviados pelo Estado para a RMVale, apesar da região ser a mais violenta de São Paulo desde 2010.

Enquanto a polícia enxuga gelo, fazendo o possível para o combate ao crime na região, o Estado não trata o Vale como a sua prioridade. Até quando nós seremos o patinho feio da segurança pública, governador?.