Falar de diversidade, do que a mulher pode ser e representar não é tarefa fácil. Na literatura adulta é possível encontrar inúmeras personagens femininas seguras de seu papel. Já na infantil a coisa muda um pouco de figura. Não é incomum encontrar estereótipos equivocados.
E é para burlar esse sistema, que editoras têm apostado em uma literatura feminista com o intuito de mostrar às meninas que elas podem ser o que quiserem.
A editora argentina Chirimbote lançou a coleção "Antiprincesas". Longe da mocinha que espera o príncipe salvá-la, as obras tratam de histórias reais de mulheres de verdade que conseguiram cruzar as fronteiras. São pintoras, escritoras, artistas, cantoras...
"A ideia surgiu a partir das marchas 'Ni una menos', contra o feminicídio. Nesse contexto, começamos a pensar na geração de meninos e meninas que têm como referência literaturas com princesas tolas e super-principes", afirmou Nadia Fink, autora dos livros.
"A indústria cultural quer imprimir em nós um papel passivo, enquanto os homens são a salvação. E o conceito do 'Antiprincesas' é rejeitar essa cultura e expressar o desejo feminino de empoderar-se", continuou.
Nesse contexto, a Mulher Maravilha é bacana, sim, mas também a escritora Clarice Lispector, Frida Kahlo, a cantora chilena violeta Parra e a soldado Juana Azurduy, entre outras que estão retratadas nas obras. No Brasil os livros podem ser encontrados pela Editorial Sur Livro.
Força feminina.
Na mesma linha de mostrar mulheres empoderadas, a V&R Editoras lançou "Histórias de Ninar Para Garotas Rebeldes"; a Record lançou "50 brasileiras incríveis para conhecer antes de crescer" e a editora Blucher lançou "As Cientistas: 50 mulheres que mudaram o mundo", de Rachel Ignotofsky.
"Rachel tinha o projeto de ilustrar mulheres importantes, e em determinado momento se tornou relevante transformar o projeto em livro, incluindo as biografias e outras informações relevantes para inspirar meninas e jovens", contou bonie Santos, coordenadora da produção editorial da Blucher.
"Nos apaixonamos pela forma como a autora aborda cada cientista, a ordem cronológica abarcando diversas épocas, a maneira lúdica como ela apresenta os textos e as imagens... É um projeto de grande importância para as meninas brasileiras, especialmente para inspirá-las a seguirem seus sonhos em carreiras científicas".
Mudando o mundo.
Para ambas editoras, a literatura tem papel fundamental tanto na forma das meninas entenderem o seu papel no mundo quanto da sociedade começarem a enxergá-las livres de estereótipos.
"Ainda falta muito. Por sorte, há diversas iniciativas como a da Rachel e de tantas autoras e das editoras estrangeiras e brasileiras, e o cenário aos poucos está mudando. As meninas começam a tomar contato com histórias de mulheres que enveredaram por caminhos que elas talvez nunca tivessem imaginado", avaliou Bonie.
"O mercado editorial é complexo, combina negócios com cultura. E um país não pode crescer culturalmente se continuar a ser gerido só por empresários. O mercado destrói ideias especialmente se forem contra-hegemônicas. Mas, felizmente, fomos capazes de criar um mercado alternativo", disse Nadia.
Ou seja, um passo de cada vez e chegaremos lá..