Cidades inteligentes misturam planejamento urbano, conectividade e qualidade de vida.
Na RMVale, São José dos Campos é uma referência nacional, mas outros municípios também estão nesse mesmo caminho.
“Importante lembrar aos prefeitos que cidade inteligente não é só ter o wi-fi disponível nas ruas. É muito mais do que isso”, disse Flávio Amary, secretário estadual da Habitação. “Mobilidade, planejamento urbano e respeito às regras e às leis. É um conjunto de fatores”.
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Confira a entrevista na íntegra.
O que são cidades inteligentes?
É muito mais do que só a internet. Começa com um bom planejamento urbano, para entender qual o tipo de cidade que queremos hoje e amanhã. Pensar como queremos construir as nossas habitações, áreas comerciais, local de lazer, do emprego, a moradia. Uma cidade inteligente tem, sim, que contar com a internet das coisas e também um bom sistema de mobilidade. A cidade inteligente começa com um bom planejamento e uma visão de longo prazo, para levar mais qualidade de vida às pessoas. Quando temos planejamento e um bom sistema de mobilidade, principalmente focado no transporte coletivo, temos uma cidade inteligente.
Como a secretaria se envolve com esse tema?
Buscamos fazer uma ação importante no diálogo com os prefeitos, porque a decisão por um bom planejamento urbano é municipal, é do prefeito e também dos vereadores. Muitas vezes com apoio, em alguns municípios, de conselhos específicos e da participação da sociedade civil organizada. É importante esse diálogo com os prefeitos, principalmente das cidades menores, que têm menos estrutura e técnicos específicos. Buscamos esse tipo de diálogo e dar nossa contribuição aos prefeitos e, se necessário, encontro com as Câmaras e os conselhos. A Constituição dá autonomia para os municípios legislarem pelo uso e ocupação do solo, por isso a importância do planejamento urbano.
Como vai o estado com relação às cidades inteligentes?
Dentro da estrutura do governo do Estado, há a participação das secretarias de Desenvolvimento Econômico e de Desenvolvimento Regional. Buscamos até alterar o nome da nossa secretaria para Habitação e Desenvolvimento Urbano, tal a correlação da habitação com o planejamento e a execução da ocupação do solo. É tema de várias secretarias e cada qual com sua repsonsabilidade, para ficar à disposição dos municípios.
Participei de várias audiências públicas em todo estado, realizadas pela secretaria de Desenvolvimento Regional, onde teve um rearranjo na estrutura administrativa do estado, buscando criar novas regiões metropolitanas, novas aglomerações urbanas. Isso é para que haja um desenvolvimento urbano não só municipal, mas integrado dentro do PDUI (Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado).
Cito São José dos Campos como exemplo, pela necessidade de planejar não apenas o município, mas também a RMVale, pela inter-relação que pode existir, a vocação de cada uma das cidades, seja no turismo, serviços, industrial. Enfim, o planejamento urbano buscando a vocação de cada um dos municípios é importante, para que não haja o planejamento único municipal, mas que tenha integração e diálogo com os municípios limítrofes e a própria RMVale.
São José é referência como cidade inteligente?
É um bom exemplo pelos sucessivos acertos do Executivo municipal. Vários prefeitos preocupados com o planejamento urbano e vale ressaltar a participação efetiva da Câmara e a participação de entidades de classe, como Sinduscon, Secovi e Aconvap, que participa efetivamente da discussão do planejamento urbano. O que traz o sucesso, como é o exemplo de São José, é a integração, a responsabilidade e a preocupação de vários entes, como Executivo, Legislativo e a sociedade civil organizada, notadamente da área da incorporação, contrução e do planejamento urbano de maneira geral. A participação na cidade de São José é um exemplo, e é fundamental para que a gente consiga chegar a uma cidade inteligente e bastante planejada.
O conceito da cidade inteligente tem que ser incorporado pela RMVale?
Acho que já é. É o que buscamos ao constituir uma região metropolitana e aglomeração urbana. Acredito que isso já está na pauta da nova direção da RMVale, cujo presidente, o prefeito Lê Braga, já participou da reunião de secretários com o governador João Doria e se mostrou muito envolvido nessa discussão do planejamento urbano. Acredito que isso já deve estar na pauta da RMVale. É importante lembrar aos prefeitos que cidade inteligente não é só ter o wi-fi disponível nas ruas, mas é muito mais do que isso. Mobilidade, planejamento urbano e respeito às regras e às leis. É um conjunto de fatores.
O sr. vê isso virando uma marca?
Creio que uma marca, sim. Quando fui presidente do Secovi do estado, participei de várias discussões nessa área de urbanismo, em congressos nacionais e internacionais. Existe a relação direta de um bom planejamento urbano, urbanização e respeito com a boa construção da cidade com a economia, geração de emprego e atração de investimentos. Uma cidade inteligente, bem planejada e organizada, que respeita as regras, que se mantém limpa e com um bom sistema de mobilidade é uma cidade que tem prosperidade. Tem atração de investimento e acaba atraindo uma boa retomada econômica num momento de dificuldade.
Vimos isso em cidades dos Estados Unidos, da Europa e aqui na região de São José dos Campos. Esse eixo entre Rio e São Paulo é de muito crescimento econômico. O eixo de São José tem bom sistema de mobilidade e atração de investimentos e isso tem ligação com as cidades inteligentes. É um círculo virtuoso para a população, que vive numa cidade com mais emprego, mais qualidade de vida, riqueza, opções de lazer e cultura, estudo, trabalho. É uma relação benéfica para a sociedade como um todo.
Cidade inteligente é para cidade pequena?
É importante cada cidade entender o que quer do seu futuro. Continuar pequena ou crescer ou vocação para uma determinada área econômica. Isso se faz com a prefeitura, a Câmara e a sociedade civil organizada. Isso vale para as cidades pequenas do Vale Histórico e para as grandes também, que é discutir o que queremos para a nossa cidade.
O escritório em qualquer lugar, por exemplo, pode ter uma alavancagem nas cidades menores com a questão dos aeroportos regionais, que foram concedidos pelo governo estadual. Com a possibilidade de se trabalhar em qualquer lugar, essas cidades médias mais distantes da macrometrópole têm um potencial de crescimento significativo.
Nas cidades menores, por causa do turismo, vimos um crescimento. Pode ter um aumento nessas cidades mais turísticas com o trabalho à distância, mesmo entre as cidades do próprio Vale do Paraíba. Acredito nesse misto de aumento da população fixa em cidades turísticas, em pequenas e médias com mais qualidade de vida, mas também na manutenção de escritórios e contatos físicos nas cidades maiores do estado.
O Vale tem potencial para se transformar no ‘Vale do Silício’ brasileiro?
Acho que cada região tem a sua potencialidade, a sua característica e vocação. No Vale, olhamos a indústria aeronáutica, o potencial naval na região do Porto de São Sebastião e vemos tendência de crescimento da região. Há a retomada dos contornos da Tamoios. Há vocação turística para a região, uma vocação forte para o turismo religioso em Aparecida, também o conhecimento pelas faculdades e a estrutura de ensino. Não precisamos copiar os modelos internacionais, mas ter as nossas características.
O Vale é uma região com potencial de crescimento em várias áreas, na preservação ambiental, no turismo, na indústria, nos serviços. Olhamos a região como um todo e há os ‘diamantes urbanos’, que são áreas de cidades já conurbadas que, pela vocação de cada cidade e região, podem ter o seu próprio estilo e característica. Acredito na prosperidade e crescimento constante da região, pela potencialidade de cada um dos municípios. A região do Vale tem tido sucessivas boas gestões públicas e participação da sociedade civil.
Como está o projeto do Trem Intercidades para o Vale?
Existe já a perspectiva na região de Campinas e do Vale, e até mesmo na região de Sorocaba. Isso existe uma relação direta com a demanda para criar atratividade e que traga investimento privado. Não vai acontecer com investimento público, mas com concessões para colocar em viabilidade o Trem Intercidades. Quando aumenta a demanda, o crescimento econômico, a mobilidade a força econômica tem relação direta com a atratividade. E acredito que está muito próximo de acontecer. Existe uma malha de ligações na região metropolitana de São Paulo e tem relação com a atratividade, com o maior número de pessoas que possam utilizar, como o caso dos aeroportos regionais.