09 de julho de 2026
Viver

Morre a bailarina Tamara Capeller, aos 92 anos

Por Agência O Globo |
| Tempo de leitura: 2 min
Tamara Capeller

Morreu, na noite do último domingo (2/8), a bailarina Tamara Capeller, aos 92 anos. Primeira bailarina do Teatro Municipal do Rio entre as décadas de 1940 e 1950, a artista se consagrou como nome importante da dança no Brasil.

Aluna de Maria Olenewa (1896-1965), Tamara iniciou a carreira com apenas 15 anos, idade com a qual foi alçada ao cargo de solista no Teatro Municipal. Entre os trabalhos mais elogiados, destacam-se as performances nas montagens de "Giselle" e "Cisne negro" . Aliás, a apresentação desse último programa, em 1946, contou com um dos aplausos mais longos na história do endereço, com 32 cortinas abertas e fechadas numa só sessão.

"Ela teve tanto êxito com "Cisne negro" que o espetáculo precisava ser interrompido por conta dos aplausos durante a performance. Foi a mais brilhante primeira bailarina do Teatro Municipal do Rio", relembra o professor e filósofo Nelson Mello e Souza, marido de Tamara, com quem teve dois filhos. "Ela era sempre a mais técnica, fulgurante, bonita e esplendorosa bailarina em cena. Dançou com os maiores artistas do mundo à época, e era uma memória da dança brasileira".

No fim dos anos 1960, após uma temporada nos Estados Unidos, Tamara passou a atuar como professora da Escola Estadual de Dança Maria Olenewa, instituição associada ao Teatro Municipal. Ali, foi responsável por formar nomes como Márcia Haydée e Ana Botafogo.

Parte de sua história está relatada no livro "Tamara Capeller: o singrar do ciscne", de Beatriz Cerbino, publicado pela Fundação Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

Nos últimos anos, Tamara havia sido diagnosticada com Alzheimer. Ela morreu em decorrência de complicações derivadas do novo coronavírus, que contraíra há três meses. "A cultura brasileira tem sua memória, e quem faz parte dessa memória precisa sempre ilustrá-la. Não podemos esquecê-la. Um país sem memória cultural é um país sem identidade nacional", diz Mello e Souza.