08 de julho de 2026
Viver

Evolução: isolamento pode tornar pessoas mais solidárias e presentes?

Por Marcos Eduardo Carvalho@marcosovale78 |
| Tempo de leitura: 3 min
Copa, Bolsonaro, Covid e Morricone

O mundo vive dias de grandes desafios. A humanidade passa uma crise sanitária que talvez seja a pior de todos os tempos, por conta da pandemia do novo coronavírus. Já parou para pensar, caro leitor, quanta coisa mudou durante a pandemia e ainda poderá mudar quando tudo isso passar? Mas, com tudo isso acontecendo, fica também a pergunta: que tipo de benefício para o comportamento da sociedade a pandemia pode trazer. Vamos ficar mais solidários?

Para a neurocoaching Stella Vilella, de Caçapava, o coronavírus chegou e mudou a vida de todos. Principalmente no comportamento dos seres humanos. "Trabalho remoto, distanciamento social, isolamento, uso de máscaras, álcool em gel. Tudo muito novo no nosso dia a dia. Para muitos a mudança está sendo difícil, para outros nem tanto. O cérebro demora a acostumar-se ao novo, mas se há persistência, ele nos acompanha. Se o cérebro identifica algum benefício nessa mudança, ele torna isso um hábito".

A especialista ressalta que há motivos para pensamento positivo neste momento. "A principal razão para o otimismo é que, embora venha sendo comparada a guerras ou às crises financeiras do passado recente, a pandemia tem um impacto de outra natureza. Mexe também diretamente com a saúde e a vida das pessoas", ressalta.

"Muitas pessoas já mudaram seus hábitos para melhores. Na higiene e também na saúde. A procura por uma alimentação saudável e atividade física aumentou", diz a especialista. "As pessoas saíram da zona de conforto e passaram a dar valor para o que realmente importa", define Stella.

"Os pais que agora estão em home office e dividindo a atenção com as tarefas dos filhos, ficaram mais atentos com a convivência entre a família. Pesquisas revelam que as crianças estão tendo um desenvolvimento melhor com a presença diária dos pais. Logo, a sociedade tende a se preocupar mais com o outro", ressalta.

PAUSA NO RITMO.

A psicóloga Simone Januário, de São José dos Campos, entende que a vida a vida pós-moderna fez um convite a um estilo em que a doença e a morte são esquecidos e que a pandemia trouxe a possibilidade de uma pausa no ritmo frenético.

"É como se pudéssemos parar o carro para recalcular a rota do GPS", disse ela.

"Quanto maior a maturidade e a capacidade de tolerar frustrações, maior a possibilidade de elaborar esse momento com ganhos para o pós pandemia".

"A forma como as pessoas se relacionam e se valorizam também podem ganhar uma qualidade melhor", afirma.

A solidariedade também deve ganhar espaço. "Pessoas precisam de pessoas, precisam se sentir pertencentes a um grupo e valorizadas por ele. Ações solidárias proporcionam esses sentimentos. As ações solidárias trazem ganhos emocionais imensos para quem as pratica. Há possibilidade de que alguns grupos se tornem mais solidários", ressalta.

Para Simone Januário, a maneira como se encara um problema revela características pessoais. "Não podemos prever o quanto as pessoas viverão o pós pandemia sabendo lidar melhor com problemas. No entanto, podemos pensar que lidar com problemas e buscar soluções criativas para eles é uma demanda deste momento"..