09 de julho de 2026
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Projeto Cine Titãs estreia com show do clássico disco 'Cabeça dinossauro'

Por Agência O Globo |
| Tempo de leitura: 4 min
Cabeça de dinossauro

Em 2012, quando completaram 30 anos de carreira, os Titãs realizaram diversas comemorações. Entre elas, uma turnê dedicada a todo o repertório de "Cabeça dinossauro", clássico de 1986. Uma dessas apresentações, no Circo Voador, foi registrada por Oscar Rodrigues Alves, gerando o CD, DVD e Blu-Ray "Cabeça dinossauro ao vivo", lançado no mesmo ano. É com este show que o grupo estreia hoje, às 20h, em sessão única no YouTube (/titasoficial), o projeto Cine Titãs.

"Foi um show que deu muito certo. A gente não fez muito alarde dele, mas lotamos pelo Brasil inteiro, em todas as praças", diz o tecladista e vocalista Sérgio Britto, que hoje mantém a banda ativa ao lado de Branco Mello (baixo e voz) e Tony Bellotto (guitarra). "A gente nunca tinha experimentado tocar o repertório de um disco inteiro. Nem quando o lançamos fizemos isso. Foi uma experiência marcante para a gente e para os fãs. Encerramos a turnê inclusive com solicitações para mais shows. É nosso disco mais emblemático. Outros fizeram mais sucesso, mas esse foi o mais marcante. E tem a vibe toda do Circo Voador, com o público quente".

Na época do lançamento, o LP surpreendeu tanto os fãs quanto a crítica, com 13 canções cruas, raivosas e contestadoras, no álbum mais pesado lançado pelo então octeto até o momento. Para Britto, "Cabeça dinossauro" envelheceu bem. "Ele tem esse mérito. É um disco que resiste muito bem ao tempo. Embora a gente fosse muito jovem, as músicas têm uma abordagem de visão adulta", ele avalia.

"Isso vale para quase todas as faixas do álbum. As questões que ele aborda são permanentes, sobre poder, dominação, estrutura do estado, a sociedade. É difícil isso sumir. E acho que tratamos muito bem desses temas, com maturidade, equilíbrio. Não quero me vangloriar, mas tenho orgulho dele, ainda mais por não ser um disco circunstancial, até pela sonoridade. Por ser crua, favorece isso, não é tão datado".

Versões novas

Os três temas mais emblemáticos do disco, "Homem primata", "Polícia" e "Bichos escrotos", foram revisitados recentemente no EP "Trio acústico 2", lançado no início do mês. "A intenção do EP era isso, fazer versões curiosas. Não se pode competir com a versão de "Polícia", por exemplo, que foi tão ouvida. Por nenhum segundo nossa intenção era concorrer com as originais, mas fazer coisas diferentes", conta Britto. "O Tony, que é autor da música, nunca havia cantado "Polícia". E achamos isso bacana. Usamos esse raciocínio para quase todas as músicas desse projeto. "Miséria" (do disco "Õ Blésq Blom", de 1989), que fiz com piano e percussão, funciona muito bem nessa roupagem. A gente se arriscou a fazer isso. Não temos pretensão de acertar sempre, mas queremos tentar fazer algo curioso, no bom sentido".

No show de 2012, Paulo Miklos ainda fazia parte da formação dos Titãs, que ele abandonaria quatro anos depois para se dedicar à carreira solo e a projetos como ator no cinema e na TV. "A gente tem a sorte de ter entre nós ainda três compositores e três pessoas que cantam. Tivemos momentos suaves e difíceis em trio, quinteto ou octeto. Mas como a gente nunca instituiu um líder, se habituou ao diálogo, a desfazer os nós, a funcionar como uma democracia", diz Britto. 

"A gente argumentava e seduzia os outros quando éramos oito. Mas temos alguma inteligência para preservar o que é o melhor do trabalho. Sempre tivemos consciência do processo coletivo de ver mérito nos outros. Não é um mar de rosas, mas a gente se admira e se gosta".

Britto prepara seu quarto disco solo para depois do lançamento do terceiro volume do "Trio acústico", previsto para setembro. "Estamos ainda nos adaptando ao novo formato de consumir música. A gente quis ir na contramão da coisa de single com a ópera rock ("Doze flores amarelas", 2018), mas não sei se tivemos o resultado que poderíamos dessa maneira. Parece que voltamos aos anos 1950, à era dos singles, mas sem o lado B agora", comenta.

Ainda não há data definida para os próximos filmes do Cine Titãs, conta Britto: "Não sei o que vamos passar, dependemos de acordo com as gravadoras. Mas a ideia é exibir o show do 'Nheengatu' e da ópera-rock. E também o documentário do "Tudo ao mesmo tempo agora" (1991), que saiu apenas em VHS".