O coronavírus já é mais letal do que homicídios e acidentes de trânsito no Vale do Paraíba.
Para piorar, a doença segue com tendência de aumento na região, que vem batendo recordes de novos casos confirmados e de mortes em junho.
Desde a primeira morte por Covid-19 no Vale, registrada em 26 de março, em Taubaté, a região acumula 222 óbitos pela doença.
Nos cinco primeiros meses do ano, segundo o Infosiga (Sistema de Informações Gerenciais de Acidentes de Trânsito do Estado de São Paulo), 123 pessoas morreram em acidentes de trânsito na região.
Desse total, 65 vítimas perderam a vida entre março e maio, quando o coronavírus deixou um rastro de 89 mortes na região no mesmo período.
A comparação com o total de vítimas de homicídio doloso (com intenção de matar) é ainda mais dramática. A SSP (Secretaria da Segurança Pública) registra 137 pessoas mortas em homicídios na região em 2020, entre janeiro e maio.
Também um número inferior ao número de mortos por Covid-19: 222.
Em todo o ano de 2019, 303 pessoas morreram em homicídios na região. Se o Vale mantiver a taxa de crescimento de óbitos por Covid-19, esse número poderá ser batido em julho pelo total de vítimas do coronavírus.
"Os achismos sobre medicamentos têm que acabar. Há possibilidade de segunda e terceira onda, como estamos vendo no mundo", disse Sérgio Cimerman, médico infectologista do Hospital Emílio Ribas e membro da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia).
"As pessoas não devem perder as medidas de prevenção, como distanciamento, uso máscara e higienização das mãos, é o que temos de solução e resposta no mundo todo."
SÃO JOSÉ.
Os números da Covid-19 em São José dos Campos são ainda mais assustadores. A doença vitimou 86 pessoas na cidade até sexta-feira (26), contra 23 pessoas que morreram em acidentes de trânsito no ano, entre janeiro e maio.
De acordo com a SSP, a cidade acumula 98 pessoas mortas em homicídios desde janeiro de 2018 até maio deste ano, número que pode ser superado pelas mortes por Covid-19 em poucas semanas.
Apenas em junho, São José registrou 49 novas mortes em decorrência do coronavírus, número bem superior à média mensal de óbitos por homicídio (3,8) e a de vítimas em acidentes de trânsito (4,6).
"Essa doença não tem ideologia, ela ataca todo mundo. É uma doença gravíssima, cruel e que faz com que o familiar não possa visitar o doente, por causa do isolamento. Nem depois caso tenha um desfecho ruim. É uma doença que não faz distinção ou respeita alguma coisa. Ataca a todos. Muito agressiva", disse o médico anestesista Gabriel Tamiasso, que atua no Hospital Municipal de São José dos Campos.
"Tivemos pacientes que faleceram em minutos. A doença traz muita limitação e o paciente passa a ter necessidade de cuidados. Quem teve alta, mesmo depois de 20 e 30 dias, ainda se sente mal."
"Diferença do mundo globalizado é a facilidade com que vírus conseguiu migrar em diferentes regiões e continentes em pouco tempo", afirmou Alex Galoro, médico patologista clínico e gestor do Grupo Sabin Medicina Diagnóstica..