Ex-técnico da seleção brasileira feminina de futebol, René Simões se envolveu em uma grande polêmica ao defender a volta do futebol, neste sábado. Em entrevista à Rádio Central de Campinas, o comandante de 67 anos deu argumentos que repercutiram mal nas redes sociais para defender a sua opinião. Uma delas, cita um amigo que teria agredido a esposa devido a quarentena.
"Vamos discutir o futebol como fator social pra ajudar as pessoas em casa que estão enlouquecendo. Tenho amigos que já se separaram, outro que já bateu na mulher, outros batem nos filhos. Tão enlouquecendo. Se voltar o futebol pode ajudar em alguma coisa", declarou Renê Simões.
A declaração repercutiu mal nas redes e um dos argumentos utilizado pelos internautas foi de que René deveria ter denunciado o amigo e não usá-lo como exemplo para pedir o retorno do futebol como remédio. Simões foi o comandante da seleção brasileira feminina na conquista da medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004.
Outra declaração que gerou mal estar foi sobre o estado físico dos jogadores caso contraiam a Covid-19. Ao ser questionado, declarou que os jogadores não correm risco de vida porque são saudáveis.
"Particularmente, eu tenho opinião, que é controversa, mas nós já tivemos mais de cem jogadores com Covid-19. Nenhum deles foi internado. Nenhum deles foi entubado. No mundo todo eu só conheço um caso que fugiu da regra. Foi o Dybala, da Juventus, que foi testado positivo. Quatorze dias depois, deu positivo de novo. Mais quatorze dias, positivo de novo. Mas resolveu tudo", disse.
"Não tem um caso de jogador internado, entubado. Por quê? Porque são pessoas extremamente saudáveis. Esse vírus não é para as pessoas saudáveis. Esse vírus quer as pessoas que tenham alguma deficiência. E os jogadores não têm. Esse é um ponto", completou.
Vale lembrar que, no mês de março, René Simões publicou vídeo em suas redes sociais para revelar que havia testado positivo para a Covid-19. Ele está recuperado da doença.
Confira a declaração completa de René Simões:"Discutiram a volta e só Botafogo e Fluminense não aceitaram [voltar a jogar]. Aí [os dirigentes] fizeram a tabela e a prefeitura pediu que não jogasse. Depois desmarcou, fechou tudo, voltou atrás. Então, nesse caso aí acho que a Federação… Particularmente, eu tenho opinião, que sei que é controversa, mas nós já tivemos mais de cem jogadores com COVID-19. Nenhum deles foi internado. Nenhum deles foi entubado.
No mundo todo eu só conheço um caso que fugiu da regra. Foi o Dybala, da Juventus, que foi testado positivo. Quatorze dias depois, positivo de novo. Mais quartoze dias: positivo de novo. Mas resolveu tudo. Não tenho um caso de jogador que tenha sido internado, entubado. Por quê? Porque são pessoas extremamente saudáveis. E esse vírus não é para as pessoas saudáveis. Esse vírus quer as pessoas que tenham alguma deficiência. E os jogadores não têm. Esse é um ponto.
O outro ponto é que dizem que o futebol voltando vai indicar que está tudo normal. Como está normal? Não tem torcida, os jogadores têm de ser testados o tempo todo, os gandulas higienizam a bola o tempo todo, pessoal no banco de máscara, a comemoração… Isso não é normalidade. Agora, isso vai fazer um bem muito grande para quem está em casa. O fato social de alguém que está em casa e não está com a cabeça só pensando no vírus. Pode estar pensando no jogo. Pode pensar na torcida. Está interagindo com outro torcedor.
Existe um aspecto social aí, que eu participei de um programa esses dias e o cara disse ‘Não, isso não pode porque se o jogador pega o vírus e fica doente, se ele morrer?’. Eu fiz uma pergunta, que acho que ele nunca mais vai me convidar para o programa. Eu perguntei: ‘Quantas pessoas morreram no supermercado?’. Perguntei se algum dia ele falou que tinha morrido pessoa no supermercado, se algum dia ele falou que tinha morrido alguém nas farmácias, nos postos de gasolina, falou dos policiais, dos médicos. Perguntei se algum dia ele reclamou que essas coisas estão funcionando. Porque alguém [desses setores] pode ficar doente também. Isso é sua necessidade. Você precisa comprar, precisa comer, precisar botar gasolina, precisa da farmácia. Então quando é a sua necessidade você não está preocupado com os outros? Vamos ficar preocupados com todo mundo. Vamos ter um pouco de clareza nas coisas.
Esses dias vi um programa de televisão em que um cara dizia que não podia recomeçar o campeonato porque a gente não tinha um ministro da saúde. Bom isso é não uma discussão desportiva. É uma discussão política. É outra área. Vamos discutir o futebol como fator social para ajudar as pessoas em casa que estão enlouquecendo. Tenho amigos que já se separaram, outro que já bateu na mulher, outros batem nos filhos. Tão enlouquecendo. Se voltar o futebol pode ajudar em alguma coisa"