O presidente começou a revisitar a lista de cotados para o MEC (Ministério da Educação). Os nomes de Sérgio Sant'Ana, ex-assessor do ex-ministro Abraham Weintraub, e de Renato Feder, secretário de educação do Paraná, voltaram ao centro da discussão na sucessão do MEC. Os nomes voltaram a ser avaliados depois das notícias sobre a informações falsas no currículo de Carlos Alberto Decotelli, nomeado na semana passada para o cargo. O governo decidiu adiar a posse do ministro e fazer um pente fino em sua carreira.
Embora ainda não tenha sido chamado na Presidência, até o meio da tarde, Sant'Ana tem forte apoio da ala ideológica do governo. O ex-assessor de Weintraub é próximo do secretário de Alfabetização, Carlos Nadalim, que chegou a ser cotado para a pasta, e também do filho do presidente, Eduardo Bolsonaro. Já o secretário do Paraná, Renato Feder, preferiu não comentar sobre as novas movimentações em relação à troca de chefia no MEC. Na semana passada, o nome de Feder ganhou força, mas ele acabou não sendo escolhido pelo presidente.
Segundo interlocutores, a situação de Decotelli ficou complicada e sua demissão está em avaliação. O mal estar causado pelo novo ministro levou estresse ao Planalto. O ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, chegou a confrontar militares que capitanearam o apoio a Decotelli para o MEC.
O ministro afirmou que tinha doutorado pela Universidade Nacional de Rosário, o que foi desmentido pelo próprio reitor da instituição, Franco Bartolacci. Além disso, foram encontrados indícios de plágio na dissertação de mestrado de Decotelli. Nesta segunda-feira, outra distorção no currículo de Decotelli ficou evidente. Mesmo sem ter doutorado, continuava constando na plataforma Lattes um "pós-doutorado" que ele diz ter feito na Universidade de Wüppertal, na Alemanha. A instituição confirmou à reportagem que Decotelli fez uma pesquisa na universidade em 2016, por três meses, mas destacou não ter emitido qualquer título a ele.