10 de julho de 2026
Brasil

PF faz nova operação para apurar suposto caixa 2 de José Serra na campanha ao Senado em 2014

Por Agência O Globo |
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Acusação. O senador José Serra (PSDB) é suspeito de ter feito lavagem de dinheiro quando era governador

Agentes da Polícia Federal cumprem na manhã desta terça-feira mandados em uma investigação sobre suposto caixa 2 na campanha de José Serra (PSDB-SP) ao Senado em 2014. De acordo com as investigações, o senador teria recebido R$ 5 milhões em doações eleitorais não contabilizadas.No total, são cumpridos quatro mandados de prisão temporária e a 15 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Brasília, Itatiba (SP) e Itu (SP).As apurações se restringem a fatos de 2014, quando o tucano ainda não tinha se elegido senador. Um dos mandados de prisão é contra o empresário José Seripieri Júnior, fundador e ex-presidente da Qualicorp, que administra planos de saúde.

O empresário José Seripieri Filho, conhecido como Júnior, também havia sido citado na delação do ex-ministro Antonio Palocci.A Justiça Eleitoral determinou o bloqueio judicial de contas bancárias dos investigados. Foram cumpridos mandados no apartamento e no gabinete de Serra em Brasília. A reportagem entrou em contato com o senador, mas até o momento não obteve resposta.

O inquérito policial foi enviado à Justiça Eleitoral em meados de 2019, com base na delação premiada de pessoas contratadas para estruturar e operacionalizar doações eleitorais não contabilizadas a mando do controlador de um empresário do ramo de planos de saúde. No decorrer da investigação foram verificados pagamentos também por empresa do ramo de construção civil e de nutrição.A Operação Paralelo 23 foi deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo, em conjunto com a Polícia Federal, após apurações que envolveram quebra de sigilo bancário e movimentações financeiras identificadas pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), além das delações.

Os repasses teriam sido feitos por meio de operações financeiras e societárias simuladas, uma tentativa de ocultar a origem do dinheiro. As investigações se restringem a fatos da eleição de 2014. Por estar no exercício de mandato no Senado, Serra tem direito a foro privilegiado.Em relação aos demais investigados, a PF busca provas da atualidade da prática de crimes conexos.

No início do mês, a força-tarefa da Lava-Jato em São Paulo acusou formalmente Serra e a sua filha, Verônica, de lavagem de dinheiro e apresentou denúncia à Justiça contra eles. Paralelamente, a Polícia Federal deflagrou operações de busca e apreensão em endereços relacionados ao ex-governador de São Paulo. A casa do tucano foi um dos alvos. Em nota divulgada na época, o senador disse que a operação causou "estranheza e indignação".