10 de julho de 2026
Política

Alvo de operação do MP, Guará Filho diz que ação tem viés eleitoreiro e que é inocente

Por Julio Codazzi |
| Tempo de leitura: 4 min
Guará Filho (PSDB), ex-vereador de Taubaté

Alvo de uma operação de busca e apreensão do Ministério Público na manhã dessa quarta-feira (22), o vereador Guará Filho (PSDB) disse que a ação tem viés “eleitoreiro” e que é inocente.

Presidente licenciado do Sindicato dos Servidores desde outubro de 2017, o parlamentar é um dos principais nomes cotados para ser o candidato do governo à sucessão do prefeito Ortiz Junior (PSDB).

“Não tenho nada a esconder. Vou colaborar com tudo que a Justiça precisar. Mas isso tem endereço, que é atingir o primeiro colocado nas pesquisas de Taubaté. Quem vai ser beneficiado? Todo mundo que quer concorrer. Acredito que é um movimento eleitoreiro, focado nas eleições desse ano”, disse Guará. “Esse caso é lá de trás. A ação veio agora, faltando 10 dias para a reunião do partido [que irá definir o candidato a prefeito]”, acrescentou. “É uma ação que pode ser fogo amigo ou inimigo, foi uma ação para tentar me prejudicar. Vou provar que não tenho nada de ilícito”, concluiu.

Guará criticou ainda a operação do MP, comandada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), que apura o caso na esfera criminal, e que contou com o apoio da Promotoria do Patrimônio Público, que denunciou o caso à Justiça em outubro de 2019. “O que me causou estranheza foi o espetáculo que foi montado. Por isso foi eleitoreiro. A Promotoria foi com a imprensa pronta, para fazer uma ação midiática”, disse. “Eu estava em casa. Contribuí. Forneci tudo o que precisavam. Sou o maior interessado em esclarecer isso”, completou.

OPERAÇÃO.

Batizada de Corpore Sano, a operação investiga suposta organização criminosa que teria desviado dinheiro público de repasses feitos pela Prefeitura ao Sindicato dos Servidores, para o custeio dos planos de saúde do funcionalismo. Foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão em Taubaté, Caçapava e Ubatuba. Entre os endereços que foram alvo da ação estão o gabinete de Guará Filho e a casa do vereador, onde o MP teria apreendido um celular, um computador e R$ 17 mil em dinheiro. Além das buscas realizadas nessa quarta, a Justiça ainda determinou o sequestro de três imóveis de alto padrão e de uma lancha para assegurar futura reparação de eventuais danos causados ao erário.

Entre os crimes investigados estão organização criminosa, peculato e lavagem de dinheiro. Segundo a apuração, o sindicato recebia da Prefeitura dinheiro a mais do que o necessário para o pagamento do plano de saúde. A diferença era repassada a uma empresa, contratada pelo sindicato para fazer a gestão dos contratos dos planos de saúde. Somente entre janeiro de 2016 e outubro de 2019, a empresa teria recebido mais de R$ 2 milhões.

A operação tem como base uma investigação iniciada pela Promotoria do Patrimônio Público. Em outubro de 2019, na esfera cível, o MP denunciou à Justiça a existência de uma “fraude contábil” na atuação do sindicato, que desde 2013 faz a intermediação do plano de saúde dos funcionários da prefeitura. Em apenas 10 meses analisados, a Promotoria apontou que a entidade recebeu do município R$ 1,659 milhão a mais do que deveria. No entanto, nenhuma pessoa física foi denunciada nessa ação – os réus são apenas o sindicato e a Prefeitura. O pedido do MP é de anulação do convênio e devolução dos recursos repassados a mais. O processo tramita em segredo de Justiça.

OUTRO LADO.

Guará Filho já era o presidente do sindicato quando o convênio com a Prefeitura foi firmado, em dezembro de 2014. Questionado nessa quarta-feira pela reportagem, o vereador disse que não poderia entrar em detalhes devido ao fato de o processo tramitar em sigilo.

“Esses assuntos eu não posso entrar, pois estão sob sigilo os dois [processos, nas esferas cível e criminal]. Não posso comentar nenhum [deles]”, disse.

“Por que eu não sou réu na ação [protocolada na esfera cível em 2019]? Eu não sou réu em nenhuma ação civil, não tenho nenhum processo administrativo. Não tenho nenhuma ação civil pública contra mim”, acrescentou Guará. “Vou prestar todos os esclarecimentos à Justiça, vou provar que sou inocente. Tudo tem origem, tudo tem explicação”, completou.

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