09 de julho de 2026
Brasil

Metade das famílias recebeu auxílio de R$ 600 em junho

Por Agência O Globo |
| Tempo de leitura: 3 min
Aplicativo CAIXA/Auxílio Emergencial

Quase metade dos lares do país tinha algum membro familiar beneficiário do auxílio emergencial. Em junho, 29,4 milhões de domicílios, onde vivem 49,5% da população do país, receberam a ajuda de R$ 600 do governo.

Os dados são da Pnad Covid Mensal, divulgada nesta quinta-feira pelo IBGE, com os dados consolidados do mês.

O instituto divulgou ainda que o distanciamento social provocado pela pandemia deixou 7,1 milhões de trabalhadores sem remuneração em junho.

O número é menor que o registrado em maio, quando 9,7 milhões estavam sem renda, mas ainda corresponde a quase metade do total de pessoas que estão afastadas do trabalho.

Segundo a pesquisa, nos estados das regiões Norte e Nordeste, o percentual de domicílios beneficiados com auxílio emergencial ultrapassou os 45%. No Amapá e no Maranhão, por exemplo, a proporção de beneficiados foi superior a 65%.

Já em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, a cobertura do programa não alcançou 30% dos domicílios

Os números da Pnad Covid indicam uma forte focalização do programa, ou seja, está sendo destinado majoritariamente aos mais pobres. Entre os 10% mais pobres do país, 83,5% moram nos lares que receberam o benefício.

Para esse contingente, a renda domiciliar per capita passou de R$ 7,15 para R$ 271,92, uma diferença de 3.705%.

"O auxílio emergencial atingiu cerca de 80% dos domicílios duas primeiras faixas de renda e cerca de três quartos dos domicílios da terceira faixa. Isso demonstra a importância do programa na renda domiciliar per capita dos domicílios dos estratos de renda mais baixos", ressaltou Cimar Azeredo, diretor do IBGE.

O auxílio é destinado aos trabalhadores informais, microempreendedores individuais (MEI), autônomos e desempregados, com renda domiciliar per capita que não deve ultrapassar R$ 522,50 ou a renda total do domicílio que não ultrapasse a três salários mínimos (R$ 3.135).

Com relação ao mercado de trabalho, a maior flexibilização das medidas de distanciamento social e aumento das demissões fez com que a taxa de desocupação subisse em um mês, passando de 10,7% para 12,4%. São 11,8 milhões de pessoas desempregadas - mais de 1,7 milhão do que o registrado em maio.

Segundo Azeredo,  esse aumento na desocupação tem relação direta com a flexibilização do distanciamento social. Com o aumento das demissões, a população ocupada reduziu para 83,4 milhões de trabalhadores.

"Isso implicou aumento da população na força trabalho, já que o número de pessoas que não buscavam trabalho por causa da pandemia reduziu frente a maio. Elas voltaram a pressionar o mercado", afirmou.

Economistas afirmam que a alta do desemprego deve ser uma tendência nas próximas semanas. Indicadores como a taxa de isolamento estão caindo a cada dia, enquanto dados de mobilidade urbana apresentam elevação.

À medida que o distanciamento social é flexibilizado, mais pessoas tendem a procurar emprego, mas não encontrarão pelo baixo dinamismo da economia. Com isso, o mercado de trabalho fica mais pressionado.

Apesar da queda na população ocupada em junho, houve um aumento da massa de rendimento efetiva, correspondida pela soma do que todos os trabalhadores recebem, de R$ 157 bilhões para R$ 159 bilhões.