Os níveis de imunização infantil contra doenças como sarampo, tétano e difteria caíram de forma "alarmante" durante a pandemia da Covid-19, colocando milhões de crianças em risco, alertou a Organização das Nações Unidas (ONU) em comunicado em conjunto com a Unicef divulgado nesta quarta-feira.
"O sofrimento evitável e a morte causados por crianças que não recebem imunização de rotina podem ser muito maiores do que a própria Covid-19", afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.
A situação é especialmente preocupante para a América Latina e o Caribe, onde a cobertura historicamente alta já havia caído muito na última década, alerta o relatório. "No Brasil, Bolívia, Haiti e Venezuela, a cobertura de imunização (para sarampo, tétano e difteria) caiu em pelo menos 14 pontos percentuais desde 2010", diz a nota.
Os dados que analisam os primeiros quatro meses deste ano, "apontam para uma queda substancial no número de crianças que completam as três doses de vacina contra a difteria, tétano e tosse convulsa (DTP3), sendo a primeira vez em 28 anos que o mundo assiste a uma redução na cobertura da DTP3", diz a nota.
De acordo com o comunicado, mais de 60 dos 82 países que responderam ao levantamento informaram diminuição nos programas de imunização no último mês de maio e, pelo menos 30 nações afirmaram que a vacinação contra o sarampo estava em risco de ser cancelada. A ONU diz que, por conta disso, surtos podem acontecer "neste e nos próximos anos".
"Há um declínio alarmante no número de crianças que recebem vacinas em todo o mundo, devido a alterações na entrega e nos serviços de imunização causados pela pandemia. Estas perturbações ameaçam reverter o progresso árduo feito até a agora para se chegar a mais crianças e adolescentes com uma ampla gama de vacinas", aponta a nota.
A OMS e a Unicef alertaram também que mesmo antes da pandemia, a cobertura de crianças vacinadas estava estagnada nos 85% há quase uma década, com 14 milhões de crianças não imunizadas todos os anos. "Dois terços delas estão concentradas em 10 países de renda média e baixa: Angola, Brasil, República Democrática do Congo, Etiópia, Índia, Indonésia, México, Nigéria, Paquistão e Filipinas", diz a OMS.