10 de julho de 2026
Ideias

Toninho Ferreira e Ernesto Gradella - Quebrar o termômetro para solucionar a febre

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Por Toninho Ferreira* e Ernesto Gradella**, do PSTU São José dos Campos

Mais uma vez, como se já não fosse habitual, é necessário repelir um ataque bárbaro do governo Bolsonaro. A cada dia que passa sentimos como se a inversão de valores minimamente razoáveis por parte do bolsonarismo tivesse ultrapassado todos os limites. Mas se não houver reação, sempre teremos um ataque novo para lamentar.

Na segunda-feira 13.07.2020, mesmo dia em que fizemos a live do PSTU sobre Meio Ambiente e Pós-Pandemia, foi publicada no diário oficial a exoneração da coordenadora geral de Observação da Terra do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial - Inpe, Lubia Vinhas, menos de um ano depois da demissão do diretor Ricardo Galvão. A divisão que Lubia chefiava é a mesma que divulgou, três dias antes, o crescimento de mais de 64% dos alertas de desmatamento da Amazônia nos últimos onze meses, e é justamente o setor responsável pelo monitoramento da destruição do nosso patrimônio ambiental pela exploração capitalista.

Ainda no começo da semana, os servidores do órgão de pesquisa espacial elaboraram uma carta denunciando a implementação de uma estrutura militar paralela no interior do Inpe, que opera e decide sobre sua administração, sem qualquer procedimento de indicação ou mérito para tanto.

É necessário recuperar que o Inpe é um instituto federal de pesquisas científicas e desenvolvimento tecnológico que existe desde 1961, anterior portanto à ditadura militar, e que, desde 1989, através de satélites próprios, elabora relatórios anuais da devastação da Amazônia. Esses relatórios representam a independência do país nesse monitoramento, que não fica à mercê dos dados do Banco Mundial, pelo contrário, pode analisar sozinho a forma de ocupação de seu território.

Do ponto de vista da soberania nacional, é um dos nossos órgãos de ciência e tecnologia mais avançados, mas cujos relatórios nem sempre agradam os ricos e poderosos. Acontece que, visivelmente, qualquer um que denunciar a exploração desenfreada da burguesia parasitária será alvo das atitudes ridículas de um governo entreguista e lacaio do imperialismo.

É mais do que óbvio que a intervenção do governo Bolsonaro no Inpe não passa de uma forma de tratar a doença da febre de destruição da natureza pelo capitalismo quebrando o termômetro que pode medi-la. E isso sem se importar com a indispensável autonomia da pesquisa e da ciência, com a independência nacional e com o bem maior da humanidade, o planeta. Para ele tudo que importa é, como disse o próprio Ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles, “passar a boiada”, mesmo que isso seja feito às escondidas enquanto o país recolhe seus mortos pela Covid-19, doença, aliás, que tem tudo a ver com a forma descuidada pela qual o capitalismo se relaciona com a natureza.

Faz tudo isso tentando parecer bem na fita, como se não existisse pandemia, como se não existisse desmatamento, mexe nos órgãos quase que para institucionalizar a suas redes de fake news. Não há nada de técnico nessa gestão, só a tal “ideologia”, que essa trupe tanto denuncia, mas a ideologia dominante, a ideologia deles.

O Inpe é nosso! O Inpe é um patrimônio dos brasileiros e parte do polo tecnológico de São José dos Campos, construído há anos com os nossos esforços e estudos. Essa situação só deixa mais nítido como é urgente colocar pra fora esse governo todo, antes que não nos sobre mais nada. O PSTU repudia a intervenção militar no Inpe, se solidariza com os servidores e defende mais do que nunca Fora Bolsonaro e Mourão Já, em defesa da Amazônia, dos recursos naturais, dos povos da floresta e de nosso planeta.

*Toninho Ferreira é advogado, ex-metalúrgico e presidente do PSTU em São José dos Campos

**Ernesto Gradella é ex-deputado federal, professor da rede estadual e militante do PSTU em São José dos Campos