O resultado positivo do teste de Covid-19 do presidente Jair Bolsonaro acelerou as perdas na Bolsa brasileira e adiou a volta aos 100 mil pontos. O Ibovespa, principal índice do mercado de ações brasileiro, fechou em queda de 1,19% aos 97.761 pontos.
A Bolsa brasileira já vinha operando no vermelho desde a abertura com os pregões globais devolvendo ganhos recentes após a indústria alemã mostrar menos fôlego do que o esperado.
Mas logo depois da divulgação do resultado do teste do presidente, por volta de 12h, o Ibovespa ampliou a queda e o dólar passou a operar em alta frente ao real.
O dólar comercial fechou a sessão em alta de 0,60%, negociado a R$ 5,38. Na máxima, subiu até R$ 5,40.
Para Rodrigo Franchini, sócio da Monte Bravo Investimentos, o fato de o presidente ter sido diagnosticado positivo para a Covid-19 é um elemento a mais de incerteza no radar dos investidores.
"O quadro interno já está difícil, com falta de articulação com o Congresso para que as reformas andem. O fato de o presidente ficar fora por 15 ou 20 dias atrapalha ainda mais. E logo começam as articulações para a eleição municipal deste ano", disse Franchini.
Segundo os analistas da Guide Investimento, a saúde do presidente é um fato político e, com o resultado positivo, Bolsonaro será forçado a rever os seus controversos posicionamentos sobre a natureza da doença, que já levou a vida de mais de 65 mil brasileiros.
As principais ações do Ibovespa recuaram: as odinárias da Petrobras (ON, com direito a voto) perderam 1,68%, enquanto as preferenciais (PN, sem direito a voto) recuaram 1,24%.
Já as PN do Bradesco caíram 4,15%, enquanto as preferenciais do Itaú perderam 4,90%.
No exterior, números mais fracos da economia alemã trouxeram a preocupação de uma recuperação mais lenta na zona do euro. Além disso, piorou a estimativa de recessão para a região.
"Os principais índices de mercado estão devolvendo parte dos ganhos angariados na sessão de ontem seguindo a divulgação de dados econômicos frustrantes na Alemanha.
A manutenção das preocupações com o ressurgimento da pandemia do coronavírus também continua como fator condicionante das decisões de investimento", dizem os analistas da Guide.
A produção industrial na Alemanha, maior economia europeia, apresentou um resultado abaixo do esperado em maio, avançando 7,8% enquanto as estimativas do mercado apontavam para uma alta de 11% no período.
O dado sinaliza que a atividade econômica superou o pior da crise em maio. Mas também indica que levará tempo para que a economia alemã se recupere a níveis pré-pandemia.
Cristiane Fensterseifer, analista de ações da Spiti, observa que as bolsas europeias devolveram os ganhos também porque a previsão do PIB da zona do euro pela comissão europeia piorou: de uma queda de 7,7% para 8,7%.
A analista lembra que, no Brasil, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse que a dobradinha juros baixos e câmbio depreciado deve ficar por um tempo mais longo no país, mas que os dados mais fortes da nossa economia mostram que ela pode crescer de forma mais acelerada e com isso atrair investidores estrangeiros.
As principais bolsas europeias fecharam em queda. Londres caiu 1,53%; Paris recuou 0,74% e Frankfurt perdeu 0,92%.
Nos Estados Unidos, as bolsas também fecharam com perdas. O Dow Jones recuou 1,51%, o S&P 500 teve perda de 1,08% e o Nasdaq caiu 0,86%.
Os Estados Unidos já têm 130 mil mortes por coronavírus e mais de 2,9 milhões de casos confirmados da Covid-19. Alguns estados americanos estão revendo as medidas de afrouxamento da economia diante do número crescente de casos da doença.