Com reflexos da pandemia, a economia brasileira sofreu queda de 5,9% em março na comparação com o mês anterior, aponta o Índice de Atividade Econômica do Banco Central divulgado nesta sexta-feira.
A estatística de março é a primeira que reflete o impacto do coronavírus na economia, com redução do comércio mundial e as medidas de isolamento social.
O primeiro trimestre de 2020 indicou queda de 1,95% em relação ao último de 2019. Na relação com primeiro trimestre do ano passado, a queda foi mais branda, de 0,28%. O resultado negativo para o período foi puxado pela queda no mês de março, que aconteceu depois de resultados positivos em janeiro e fevereiro.
Em comparação com março de 2019, a queda foi de 1,52%. Nos últimos 12 meses, o país cresceu 0,75%.
O resultado veio dentro da expectativa do mercado. Gilmar Alves, economista sênior do banco BMG, explica que o número ainda representa pouco na queda na atividade econômica porque foi só em abril que as medidas de isolamento social entraram com mais força.
"Essas restrições não pegaram nem a metade de março. A tendência é ser muito pior nos próximos meses, infelizmente. Esse resultado do IBC-Br indica que o primeiro trimestre pode ser um pouco menos negativo do que se esperava, mas nada indica que isso não vá implicar num segundo trimestre bem negativo.
O IBC-Br é uma prévia aproximada do PIB (Produto Interno Bruto) calculada pela autoridade monetária e ajuda o BC a tomar decisões sobre a taxa básica de juros, a Selic, que hoje está em 3%.
O índice incorpora informações sobre o nível de atividade em três setores: indústria, comércio e serviços e agropecuária, além do volume de impostos.
Já o PIB, calculado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), é mais abrangente e também se baseia, por exemplo, em índices de orçamentos familiares e inflação. É a soma de tudo que foi produzido no país.