O Supremo Tribunal Federal começou a julgar na última quarta-feira, de de junho, em sessão plenária por videoconferência, a constitucionalidade do chamado “inquérito das fake news”, aberto em março de 2019 para investigar ofensas, ameaças e notícias falsas contra o Tribunal. Com apenas um voto, do ministro Edson Fachin – favorável às investigações – o Ministro Dias Toffoli adiou para hoje a continuidade do julgamento. Com história em pleno andamento, votações no STF, comissões no congresso e debates nas ruas sai do forno da Editora Companhia das Letras no próximo dia 30 de junho o livro “A máquina do ódio”, de Patrícia Campos Mello que discute como as campanhas de difamação podem ser consideradas uma nova forma de censura, terceirizada e difundida pelos exércitos de trolls patrióticos repercutidos por robôs no Twitter, Facebook, Instagram e WhatsApp -- cujas principais vítimas são jornalistas mulheres.
Dias antes do segundo turno da eleição de 2018, Patricia publicou a primeira de uma série de matérias sobre o financiamento de disparos em massa no WhatsApp e de redes de disseminação de notícias falsas, na maioria em benefício do então candidato Jair Bolsonaro. Desde então, a repórter se tornou alvo de violentos ataques intimidatórios por parte do chamado gabinete do ódio e de suas milícias digitais.
Patrícia também acompanhou a utilização crescente das redes sociais nas eleições internacionais que cobriu: nos Estados Unidos, em 2008, 2012 e 2016; na Índia, em 2014 e 2019. À experiência de observadora do avanço dos tecnopopulistas e seu "manual para acabar com a mídia crítica", somou-se a de protagonista involuntária no front de uma guerra contra a verdade.
Em meio à ascensão de governos exímios em manipular os fatos e no contexto da terrível pandemia de Covid-19, a imprensa tem uma oportunidade única de renascer. Relato envolvente de um dos capítulos mais turbulentos de nossa história recente, A máquina do ódio é também um manifesto em defesa da informação.
"Graças ao trabalho desbravador de alguns jornalistas, nós pudemos descobrir e entender como a internet contribuiu para propagar movimentos contrários à democracia. Dentre elas, destacam-se a indiana Rana Ayyub, a britânica Carole Cadwalladr e a brasileira Patrícia Campos Mello. É simples: se você quer entender os desafios atuais para a democracia no mundo, você precisa ler este livro." -- Jason Stanley, professor de filosofia na Universidade Yale e autor de como funciona o fascismo
"Para entender a natureza dos riscos que ameaçam a democracia brasileira hoje, é preciso seguir o rastro da conspiração digital que simula movimentos de apoio popular e fabrica ódio contra pessoas e instituições. O livro de Patrícia Campos Mello desvenda esse mundo das sombras com um texto envolvente e esclarecedor. Recomendo fortemente a leitura. E quanto antes, melhor." - Miriam Leitão.
A Máquina do ódio