11 de julho de 2026
Viver

Mostra idealizada por Paulo Vilhena reúne curtas feitos durante a quarentena

Por Agência O Globo |
| Tempo de leitura: 2 min
Paulinho Vilhena

Quando começou a quarentena, o ator Paulo Vilhena ficou incomodado com a impossibilidade de trabalhar. Numa conversa com a roteirista Thelma Guedes, ao refletir sobre tantos processos criativos interrompidos pela quarentena, ele pensou numa mostra de cinema virtual. Então, ao lado da sobrinha, a jornalista Mari Vilhena, o artista criou o Festival Filma em Casa.

"O projeto surgiu de uma inquietação humanitária e artística, por estar parado, sem produzir nada coletivo. Troquei ideia com muitos amigos para ver o que podia ser feito, mas a gente sempre esbarrava por não poder ser ver, pensar e realizar alguma ação física", comenta Vilhena.

Após muitas conversas, os idealizadores chegaram ao formato do festival: curtas de até cinco minutos, sem restrição de gênero, realizados por equipes de três pessoas escolhidas por meio de um sorteio realizado no Instagram da mostra (@festfilmaemcasa), onde os filmes estão disponíveis. A única orientação era que todos os trabalhos partissem de um tema: "O som da vizinhança", sugerido por Thelma.

"Era uma boa maneira para a gente criar um critério de avaliação, um norte que lidasse com a realidade da gente estar fechado em casa. Isso aguçou os nossos sentidos para perceber coisas que não notamos no cotidiano. Um dia ouvi minha vizinha cantando um louvor, com fervor. E aquilo mexeu comigo. Chegou uma hora que eu estava louvando junto: "Senhor Jesus, vamos nessa!". Minha namorada saiu do quarto e não entendeu nada", gargalha. "Essa situação deu uma percepção de que esse tema podia ser muito bem explorado. Tanto a realidade concreta quanto algo abstrato".

'Personal Oscar'

Para avaliar os curtas realizados pelos 33 trios escolhidos — formados por pessoas desconhecidas de diferentes cidades —, Vilhena selecionou um júri. Além de Thelma, a banca conta com a cineasta Laís Bodanzky, o diretor Rogério Gomes, a professora e roteirista Carolina Amaral, o iluminador e fotógrafo Luciano Xavier e o estilista Walério Araújo.

"Fizemos uma live para apresentar os jurados, e isso deu um gás para as equipes. Houve muito engajamento, foi louco. Ficamos de mediador, psicólogo, amigo, tudo que a gente podia para dar suporte. Ficamos de mediador, psicólogo, amigo, tudo que a gente podia para dar suporte".

O vencedor do festival, que será anunciado neste mês, levará um prêmio de R$ 3.000. O segundo colocado, R$ 2.000. O valor será pago pelo próprio Vilhena.

"Um amigo deu uma ideia de premiar mais participantes. Aí, convidei o Angeli, que fará um desenho exclusivo para os integrantes do trio que ficar na terceira colocação. Vou fazer uma live/cerimônia, com bancada, tudo. Vai ser meu personal Oscar", brinca.

Para as categorias avaliadas — direção, edição, atuação, trilha sonora, sonorização, figurino, roteiro e tema original —, a recompensa será diferente.

"Vamos convidar um profissional de cada área para gravar um vídeo avaliando o curta. A ideia é formatar um site para unir tudo isso. Queremos ampliar as linguagens dentro dessa proposta, como jornalismo, artes plásticas, o que puder servir à sociedade".