Se em tempos normais eles já eram temidos, nessa longa quarentena em tempos de pandemia do novo coronavírus têm apavorado (alguns) ainda mais! Mas deliciado a grande maioria de seus seguidores nas redes sociais!
Eles batem no peito para dizer que não tem rabo preso, não são partidários de esquerda ou direita, não são candidatos a cargo algum, mas jamais deixaram de se posicionar no segmento. Conhecidos pelos textos críticos amparados por imagens excêntricas (e de alta reverberação) no mercado das artes, da arquitetura e do design, os jornalistas e diretores de arte Allex Colontonio, 43 anos, e André Rodrigues, 39, publishers da premiada revista Pop-se, apostam na evolução do mercado a partir da contextualização cultural – cada artigo é alinhavado com arte, música, moda, cinema, história, panorama social, econômico e muitas comédias da vida privada.
Sob o alter ego @decornautas, conta que há dez anos está no ar para as dores e as delícias dos profissionais do segmento (alguns os idolatram; outros se apavoram pelo excesso de sinceridade nas resenhas), eles subiram o volume, desde o início da Quarentena, para abordar diariamente a produção contemporânea no Brasil associada aos retrocessos herdados dos regimes totalitários e eventuais censuras da atualidade.
Neste combo pandêmico costumam abordar a “arquitetura da cura”, “arquitetura x ditadura”, “arquitetura x racismo” entre outras caixas de marimbondos. “O arquiteto é por definição (ou pelo menos deveria ser) um humanista, não apenas um técnico. É também um grande formador de opinião, que opera na escala da materialização do sonho das pessoas e da interpretação de suas vidas. Mas boa parte dos profissionais nesse mercado não está lá muito habituada a se posicionar. E quando a política ameaça a democracia, ela deixa de ser uma questão de escolha. Nosso trabalho é informar e, na condição de jornalistas da área, não h&aacut e; como poupar os articuladores da casa brasileira neste flerte com o fascismo”, explica Colontonio.
São três textões por dia, um mais abrasivo do que o outro. O que chama a atenção, porém, são as imagens, animações de apelo surrealista que colocam Niemeyer no espaço sideral, gado mugindo na porta do Congresso Nacional ou deusas flutuando sobre edifícios. “São composições autorais feitas a partir do nosso próprio acervo visual, muito idílico, praticamente uma marca do nosso trabalho. Mas também fazemos colagens com obras de outros artistas, com os devidos créditos” - comenta.
Por essas e outras o perfil @decornautas já teve o dobro de seguidores que hoje, mas nunca tiveram a pretensão de agradar geral, faz parte do jogo lidar com o unfollow. “Se a gente conseguir conscientizar uma única pessoa com nosso conteúdo, o trabalho terá cumprido seu propósito”, conclui sobre a conta que hoje passa dos 100 mil seguidores e que, em 2018, virou um livro tipo art book com mais de mil páginas, em dois volumes. E em plena quarentena a dupla anuncia que o vem aí.
Criações autorais e colagens compõem as ilustrações
Criações autorais e colagens compõem as ilustrações
Criações autorais e colagens compõem as ilustrações
Criações autorais e colagens compõem as ilustrações