Ontem (04), em uma entrevista de rádio, o prefeito Felicio Ramuth, de forma truculenta e antidemocrática, típica de governos autoritários, desferiu uma série de ataques aos educadores da rede municipal e ao Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (SindServ).
Ao invés de dialogar com a categoria e com o sindicato, acolhendo as denúncias e questionamentos relacionados ao retorno presencial às escolas, a falta de EPIs e problemas no acesso à internet nas unidades escolares, Felício escolheu o pior caminho, o caminho do ódio e do ataque, deixando toda a categoria indignada com seu tom bélico e caluniador.
Sobre os questionamentos acerca da volta às escolas para a realização de atividades online, o prefeito disse: “é uma minoria de professores sindicalizados que não querem voltar a trabalhar”. Nesse ponto, além de atacar o direito legítimo de sindicalização, Felicio comete dois equívocos, pois a mobilização dos educadores é muito maior do que só um “grupinho” e está para além da categoria, envolvendo familiares e apoiadores que compreendem a gravidade do retorno presencial em plena pandemia e mente ao dizer que os educadores não querem trabalhar. A luta dos educadores e do sindicato, inclusive tema da ação judicial formulada pela entidade, é pelo trabalho remoto, não havendo qualquer tipo de recusa ao trabalho, como absurdamente afirma o prefeito.
Em outro trecho afirma “se tem aí algum professor sindicalizado que não quer trabalhar, tire uma licença da prefeitura não remunerada”. Pela segunda vez menospreza os educadores e o sindicato, compactuando com grupos reacionários que desqualificam a importância dos profissionais da Educação e das as entidades de classe. Cabe lembrar que foram os servidores, a partir de sua organização, que construíram um plano de carreira que já foi reconhecido como um dos melhores do país. Plano de carreira que hoje encontra-se totalmente destruído pela sanha precarizadora do partido de Felicio Ramuth.
Acrescentamos ainda toda a nossa solidariedade à professora da Zona Sul que não quis se identificar ao questionar Felicio Ramuth sobre a falta de acesso à internet em sua escola. O prefeito, ao ouvir o questionamento, respondeu de forma completamente agressiva “mude de rede, peça demissão e vá para a rede estadual ou privada é assim que funciona no mercado”. Ao respeitar uma professora, desrespeita todos os outros educadores e a Educação.
Felicio Ramuth deve se retratar! Os ataques e calúnias são inaceitáveis e ferem o direito de manifestação, questionamento, sindicalização e organização. Um prefeito deve estar à altura do cargo que ocupa, deve se preocupar com as condições de trabalho dos servidores, com a qualidade da Educação e com a vida de toda a população.
Daniel Augusto Fernandes, Diretor do Sindicato dos Servidores de São José dos Campos