10 de julho de 2026
Brasil

Com otimismo do exterior, dólar cai a R$ 4,98, menor patamar desde março; Bolsa subiu 0,86%

Por Agência O Globo |
| Tempo de leitura: 3 min
Dólar

Dados mais positivos do mercado de trabalho americano surpreenderam os investidores e provocaram uma onda de otimismo no exterior, com reflexos no câmbio e nas bolsas.

Por aqui, o dólar comercial fechou negociado abaixo de R$ 5 pela primeira vez desde o dia 13 de março, quando a divisa havia encerrado a sessão a R$ 4,812.

A moeda americana terminou  esta sexta-feira cotada  a R$ 4,99 na venda, uma baixa de 2,66%. Na máxima subiu até R$ 5,07 e na mínima recuou a R$ 4,93.

Na semana, o dólar acumulou queda de 6,44%. No ano, entretanto, o dólar comercial ainda tem alta de 24,52%.

Na Bolsa, o Ibovespa, principal índice do mercado de ações brasileiro, subiu 0,86% aos 94.637 pontos.

Mais cedo, o Ibovespa avançou mais de 3% e chegou aos 97 mil pontos, marca que não era atingida desde 6 de março.

O índice teve o sexto pregão consecutivo de alta e acumulou a terceira semana consecutiva de ganhos. Na semana, o índice se valorizou 8,27%, mas no ano ainda se desvaloriza 18,16%.

Para Gustavo Bertotti, economista da Messem investimentos, houve um clima de euforia do mercado, com dados positivos de empregos nos EUA, estímulos econômicos de diferentes dos bancos centrais, além de um cenário de juros baixos.

Mas ele lembra que o segundo trimestre do ano será o pior do ano para empresas e os indicadores econômicos do período também tendem a refletir os impactos negativos da pandemia.

"O mercado trabalhou com expectativas. Houve uma onda de otimismo no mercado com os pacotes de bancos centrais injetando dinheiro nas economias, flexibilização da quarentena na Europa e Ásia".

E hoje os números do mercado de trabalho americano vieram muito melhores do que se esperava, com criação de vagas e não fechamento de postos em maio. Por isso, houve maior apetite ao risco - disse Bertotti.

Ele observa que, no cenário interno, não houve novos fatos que pudessem alimentar o risco político, neste momento.

"A expectativa com o Brasil era tão ruim, que qualquer melhora no ambiente político, aliviou o mercado financeiro".

Além disso, o próprio mundo começou a experimentar a volta dos "dias normais", com economias reabrindo e notícias sobre vacinas e remédios contra a Covid-19 surgindo", escreveram os analistas da Rico Investimentos em relatório a clientes.

E com juros baixos no mundo e também no Brasil, o investidor acaba procurando melhores oportunidades de ganho em Bolsas de Valores. Precisa tomar risco para ter um retorno melhor.

As principais ações do Ibovespa fecharam em alta. As ordinárias da Petrobras (ON, com direito a voto) subiram 4,17%, enquanto as preferenciais (PN, sem direito a voto) ganharam 3,13%.

Os papéis PN do Itaú avançaram 2,21%, enquanto os PN do Bradesco subiram 4,86%.

O economista-chefe da Modalmais, Alvaro Bandeira, lembra que não existem também notícias de uma segunda onda de contágio pela Covid-19 nas economias que estão reabrindo. Além disso a OPEP+  e a Rússia chegaram a um acordo que deve prorrogar cortes na produção de petróleo até o final de julho.

Nesta sexta, tanto o barril do tipo Brent quanto o WTI subiram mais de 5%.

Emprego nos EUA cresceu

Os mercados tiveram uma surpresa com dados do mercado de trabalho americano, que vieram mais positivos.

O desemprego caiu a 13,3% em maio de 14,47% em abril, contrariando previsões que estimavam fechamento de mais de 7 milhões de vagas.

Ao contrário, foram criados 2,5 milhões de novos postos no mês passado, ante perda recorde de 20,687 milhões em abril.

A surpresa positiva com os números de emprego nos EUA faz as bolsas americanas subirem com força, sinalizando uma recuperação econômica mais rápida.

O S&P500 teve ganho de 2,62%; o Dow Jones se valorizou 3,15% e o Nasdaq subiu 2,06%.

Na Europa, as principais bolsas fecharam com altas expressivas. Paris e Frankfurt fecharam com ganhos acima de 3%. Londres subiu mais de 2%. Na Ásia, as principais bolsas também fecharam com ganhos.