10 de julho de 2026
Viver

Para combater assédio, mulheres criam campanha no WhatsApp para denunciar abuso

Por Da redação@jornalovale |
| Tempo de leitura: 2 min

Assédio sexual, assédio verbal, agressão, relacionamento abusivo, divulgação de imagens de nudez sem consentimento da vítima e até estupro. São graves problemas enfrentados por meninas e mulheres em todo o mundo. Na região, jovens de pelo menos três cidades (São José dos Campos, Jacareí e Caçapava), começaram uma campanha nas redes sociais que busca alertar sobre pessoas que teriam cometidos esses tipos de abusos -- os dados são divulgados principalmente por mensagens de WhatsApp.

Nesses grupos, são utilizados os ícones emojis para classificar a ação de cada um dos supostos agressores. Em uma dessas listas, ícones fazem referência a 'assédio sexual, 'assédio verbal', 'estupro', 'agressão', 'relacionamento abusivo' e 'espalhou nude'. O caso 'viralizou' e, revelado no site de OVALE, foi um dos temas mais comentados desta semana.

Por um lado, grupos como o Coletivo de Juristas Feministas, movimento em São José em favor da causa feminina, as ações podem incentivar que mais mulheres vítimas de violência se sintam encorajadas a compartilhar e a denunciar a situação que passaram. "É uma forma de visibilizar a agressão sofrida, de maneira que outras mulheres possam se identificar nos relatos, fomentando uma rede de acolhimento entre mulheres. É uma necessidade de expressão", afirmou a advogada Larissa Seixas.

O delegado seccional de São José, José Henrique de Paula Ramos, afirmou que há várias dessas listas, mas ainda nenhum inquérito foi aberto.

"Essas listas ganharam corpo em ambiente estudantil e não têm credibilidade", afirmou. "É uma coisa perigosa, que pode atingir inocentes", completou.

Entre algumas meninas, existe o temor também de uma 'revanche' de grupos de meninos, com o surgimento de listas com exponham a intimidade delas.

REAÇÃO.

Por outro lado, as denúncias geram reclamações de jovens que se sentem prejudicados e que, segundo eles, teriam os seus nomes indevidamente colocados nas listas. Alguns prometem procurar a Justiça.

Em São José, um jovem com mais de 18 anos teve seu nome citado, mas diz ser inocente e procurou ajuda jurídica. O advogado civilista Leonardo Cedaro, responsável pela defesa, ressalta que "a Constituição Federal elege a privacidade e a intimidade como direitos fundamentais". "A divulgação de nomes como ocorreu, além de polêmica, sujeita o 'acusado' à uma perigosa execração pública. Essa lista ganha proporção diária, e não se sabe se as pessoas que constam na referida lista, praticaram ou não os atos ali inseridos", afirma o advogado de defesa, que ainda está estudando a melhor medida administrativa ou judicial.

Segundo ele, em caso de violência, as meninas devem buscar os meios legais.

"As supostas vítimas (meninas) deveriam levar o caso à autoridade policial competente, com a narrativa dos atos tidos como crimes. Depois de um inquérito policial, a questão deveria ser julgada no âmbito do Poder Judiciário. Com o advento da internet, muitas pessoas exageram na exposição de fatos e ideias, pensando haver um anonimato que o proteja", diz.

"Uma vez demonstrado que não houve por parte dos acusados os atos mencionados, as meninas estarão sujeitas à responsabilização nas esferas cível e criminal", ressalta..