09 de julho de 2026
Brasil

Entrevista: Cotado para o MEC se reúne com Bolsonaro e diz que ele é 'estadista'

Por Agência O Globo |
| Tempo de leitura: 3 min
Renato Feder

Cotado para substituir Abraham Weintraub no MEC (Ministério da Educação), o secretário estadual da área no Paraná, Renato Feder, se reuniu durante uma hora com o presidente Jair Bolsonaro nesta terça-feira. Durante a conversa, Bolsonaro afirmou a Feder que espera que o próximo ministro apoie estados e municípios no uso de tecnologia para aulas remotas e na retomada de atividades. O presidente falou ainda sobre importância de articulação sobre o novo Fundeb, principal fundo de financiamento da educação.

Em entrevista à reportagem, Feder, que também é empresário do ramo de tecnologia, afirmou que a conversa foi bastante técnica e positiva e elogiou Bolsonaro, nas suas palavras, "um estadista". O secretário opinou ainda que não tem 'nenhum alinhamento' com o governador de São Paulo, João Dória (PSDB), desafeto político de Bolsonaro. Em 2016, Feder foi um dos principais doares de campanha do tucano na corrida à prefeitura de São Paulo.

Como a reportagem antecipou na sexta-feira, o secretário do Paraná é o principal cotado ao cargo. Feder tem aliados de peso na corrida ao cargo, além de ter o apoio de partidos da base aliada do presidente, Feder também tem o apoio de parte do empresariado e dos militares. Bolsonaro não deu um prazo para dar resposta ao cotado, também não foi marcada nova reunião.

Como foi a reunião com o presidente?

A conversa foi muito boa, durou aproximadamente uma hora. Foi uma conversa muito técnica, principalmente sobre como ajudar as secretarias estaduais e municipais nessa época de quarentena, o que o MEC pode fazer principalmente com tecnologica para ajudar os alunos nas aulas remotas.

Sua chegada ao MEC já está encaminhada?

Não diria isso, o presidente muito corretamente está fazendo a análise do que é melhor para o MEC e para nossos jovens. Imagino que ele vai querer conversar com outras pessoas e fazer a melhor escolha.

Quais as outras pautas presidente pediu prioridade?

Ele está preocupado com a retomada das aulas, com o Fundeb, que é uma votação importante que o Brasil vai passar agora no Congresso. É muito importante a manutenção do Fundeb. Ele falou também sobre como fazer para que o Brasil seja uma potência educacional. Sobre como a  gente faz para se aproximar de países como Cingapura , Japão, Taiwan, Coreia do Sul. Isso é o que o presidente gostaria que acontecesse. Foi uma conversa muito técnica.

O presidente manifestou preocupação em aprovar a PEC do Fundeb esse ano?

Ele sabe a importância (do Fundeb) e a pessoa que assume tem que conseguir conversar muito bem com os parlamentares para que não só se aprove, como aprove no sentido de dar bom apoio a municípios e estados, mas também para estimular melhora contínua no aprendizado. Falei bastante também a respeito do Paraná e do uso da tecnologia para ajudar a educação.  Mostrei o programa chamado "Presente na escola" que a gente consegue captar a presença do aluno, se ele está faltando ou não. Quais os alunos que mais faltaram. No Paraná tivemos todos os dias 60 mil alunos a mais em sala de aula todos os dias. Foi um programa que diminuiu muito a evasão no Paraná.

Ele te deu prazo para alguma resposta?

Não.

Foi noticiado seu financiamento à campanha de João Dória (PSD) à prefeitura de São Paulo. Acha que isso pode atrapalhar?

Acho que não. Isso é uma coisa muito antiga. Não tenho nenhum alinhamento com o Doria, faz cinco anos essa história.

A última gestão do MEC era distante do diálogo com estados. Você é um secretário estadual, acha que isso conta a seu favor?

A ideia é dar muito apoio para estados e municípios. Esse é o principal papel do MEC. Os alunos são do município e dos estados, mas o papel principal do MEC deve ser de apoiar e dialogar.

Qual foi a conclusão da conversa?

Como bom estadista, ele disse que vai analisar e que gostou da conversa.