11 de julho de 2026
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83% dos professores não se sentem preparados para o ensino remoto

Por Bárbara Monteiro@barbara_ovale |
| Tempo de leitura: 4 min

"De um dia para o outro, professores montaram todo um sistema de educação obrigatória a distância para continuar a sua missão de vida a partir de casa com mística e dedicação. Materiais? Seu computador, privado e pessoal, e sua internet, paga do próprio bolso. Espaços? O salão de sua casa, que torna pública a desconhecidos a intimidade. Exigências? Absolutas. Reclamações de todos a todo momento, sem sensibilidade alguma ao esforço súbito a que estamos submetidos! A escola na sala de casa nunca acaba".

Esse é o trecho de um texto que circulou nas últimas semanas nas redes sociais. De autoria desconhecida, ele revela em poucas linhas o universo dos professores em meio ao isolamento social por causa da Covid-19.

Fato é que, após seis semanas de isolamento social, 83% dos professores brasileiros ainda se sentem nada ou pouco preparados para o ensino remoto. Isso é o que aponta o instituto Península, após pesquisa realizada com 7.734 mil docentes de todo o país entre os dias 13 de abril e 14 de maio deste ano.

O levantamento é parte do estudo "Sentimento de percepção dos professores brasileiros nos diferentes estágios do Coronavírus no Brasil", que revelou ainda que 88% nunca tinham dado aula de forma virtual antes da pandemia e 55% não tiveram qualquer suporte ou capacitação para ensinar fora do ambiente físico da escola. Por outro lado, o interesse é latente: 75% gostariam, sim, de receber apoio e treinamento neste sentido.

Segundo Patricia Blanco, presidente do instituto Palavra Aberta, entidade que lidera o EducaMídia, programa de educação midiática dedicado a formar professores e a produzir conteúdos sobre o tema, a formação do educador é um dos motivos que levam a essa preocupação a respeito do uso das tecnologias, mas não só.

"Existem questões crônicas, intrínsecas à formação docente, que se agravaram ainda mais com o ineditismo da situação que vivemos hoje. Há questões técnicas de infraestrutura, resultados da desigualdade social brasileira, que ficam evidentes agora, como o acesso a computadores, celulares e banda larga. E, claro, há a falta de materiais pedagógicos e cursos que preparassem os professores para lidarem com o ensino puramente virtual na educação básica", afirmou.

Ainda segundo ela, a situação evidenciou a urgência de inserirmos no sistema educacional o universo digital. "Por muitos anos nós 'atrasamos', no Brasil, essa discussão. Agora, estamos correndo atrás enquanto a roda está girando".

RETRATO.

Segundo publicado no Diário Oficial da União, uma medida provisória promoveu ajustes no calendário escolar de 2020. As escolas da educação básica e as instituições de ensino superior poderão distribuir a carga horária (800 horas anuais no caso da educação infantil e dos ensinos fundamental e médio) em um período diferente dos 200 dias letivos previstos na legislação.

Segundo a Agência Senado, o ajuste valerá enquanto durar a situação de emergência da saúde pública. Tanto a carga horária como o número de dias letivos são definidos pela LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), de 1996.

Em São José dos Campos, as aulas do ensino municipal serão retomadas em 3 de junho. "Entre os dias 23 de fevereiro e 14 de abril, considerou-se o recesso escolar para alunos e professores. De 22 de abril a 21 de maio, foram antecipadas as férias dos servidores e do magistério. E, de 22 de maio a 2 de junho, foram antecipados os feriados e aulas suspensas que ainda restavam em 2020", afirmou Cristine de Angelis Pinto, secretária de Educação e Cidadania do município.

Em Taubaté, para dar continuidade ao processo de aprendizagem, o material pedagógico foi disponibilizado de forma virtual, por meio do programa Escola Sem Muros. No site da prefeitura, alunos podem acessar atividades para todos os anos, contemplando todos os componentes curriculares para serem executados em casa. E, a partir da última semana, as aulas foram retomadas por meio de atividades remotas.

Já em Jacareí, as aulas da rede municipal estão acontecendo on-line. Segundo nota, a Secretaria Municipal de Educação está focada, neste momento de retomada, "nas primeiras atividades (iniciadas no último dia 4 de maio), especialmente aquelas que são essenciais para a continuidade do processo de aprendizagem dos alunos".

DESAFIOS.

Para Arthur Igreja, especialista em tecnologia e inovação, são vários os desafios da educação on-line. "Primeiramente, está relacionado à infraestrutura, ou seja, ter uma conexão adequada, um bom computador, tablet ou smartphone", afirmou. "Outro aspecto condiz com os quesitos disciplina e acompanhamento, pois é preciso ter suporte. Principalmente, para as crianças, é uma situação complicada uma vez que, muitas vezes, os pais trabalham em serviços essenciais ou já voltaram ao trabalho, então não é fácil acompanhar os estudos dos filhos".

Ainda segundo ele, o ambiente também interfere no ensino e aprendizagem. "O local precisa ser calmo e sem ruídos", disse. "A falta de convivência com colegas e a falta de percepção visual mais apurada por parte dos educadores também são alguns dos desafios", concluiu..