11 de julho de 2026
Brasil

'I don't want you': brasileiros nos EUA opinam sobre decisão de Trump de restringir voos

Por Marcos Eduardo Carvalho@marcosovale78 |
| Tempo de leitura: 3 min
Donald Trump

'I don't want you'. Ao contrário do que dizia Tio Sam em seu lendário cartaz de convocação para a Primeira Guerra Mundial, em meio à guerra ao coronavírus, que já tirou a vida de mais de 100 mil americanos, o governo de Donald Trump concedeu um 'red card' para os voos vindos do Brasil, temendo que o país possa piorar o contágio em território norte-americano.

A decisão, tomada pelo presidente Donald Trump, já está valendo. Atualmente, o Brasil é o segundo país com o maior número de casos no mundo, atrás dos próprios norte-americanos (são mais de 100 mil mortes registradas).

OVALE foi ouvir brasileiros que vivem hoje nos Estados Unidos. A maioria dos entrevistados aprova a medida.

Jogador de futebol Indoor Soccer, Luiz Mota é de São Paulo, tem 27 anos e vive nos Estados Unidos desde 2011.

Ele se mostra totalmente favorável à medida do governo norte-americano. Atualmente, está na Carolina do Norte.

"Minha opinião quanto à restrição do governo americano à entrada de brasileiros é favorável. Acredito que o governo Trump seja um governo que coloca o seu povo à frente de qualquer coisa e é dessa maneira que um presidente deve agir", disse Mota.

"Como o Brasil é um dos principais epicentros de coronavírus no momento, acredito que essa restrição se faça necessária para evitar que pessoas possivelmente contaminadas entrem em território norte americano, o que poderia gerar uma segunda onda da pandemia", complementou.

Ele também ressalta a preocupação com a abertura da economia nos EUA. "Além de vidas sendo perdidas, lidamos com um monstro que pode destruir a economia. Pensando em reabrir o país da maneira mais rápida possível, o presidente visa evitar qualquer chance de que uma outra onda do vírus assole o país", disse.

RELATO.

Cláudio Shurato, 45 anos, de Paracambi (RJ), é chefe de cozinha e trabalha como garçom na Disney. Mora em Orlando há mais de 20 anos. E entende que a medida de restrição de voos foi acertada. Ele já está há mais de dois meses sem poder trabalhar.

"O Donald Trump fez essa medida de cancelar os voos de brasileiros vindo para cá, principalmente de turistas, para poder segurar um pouco a entrada de alguém que possa estar contaminado. Ele já tinha falado isso, mencionado isso, e aí no Brasil estão com muitos casos", ressalta.

"O que ele impediu é turistas de vir para cá. Está tentando impedir que a Covid se propague. Aqui na Flórida também tem muitos casos de pessoas contaminadas", disse.

Segundo ele, que está sem trabalhar há dois meses, deve haver compreensão.

"Nós vamos tentar fazer o melhor para que daqui a um tempo a gente volte ao normal, ou ao mais normal possível durante o período", conta o brasileiro a OVALE.

DOIS LADOS.

Estudante de business marketing na Universidade de Saint Thomas, no Texas, Mila Aquino, 26 anos, de São José, também evita condenar a decisão de Trump. "Acho meio complicado e difícil e dizer o que é certo e errado nos dias de hoje, com essa pandemia. São culturas diferentes línguas diferentes países diferente, então é difícil concordar e discordar com qualquer política internacional, ou nacional", disse.

"O foco deles não é o brasileiro, o foco é não trazer mais pessoas com vírus, para não piorar a situação aqui nos Estados Unidos, até porque houve falha na quarentena aqui", afirma Mila.

"Minha família mora em São José, imagino acontecer alguma coisa com eles e eu não poder visitar, por exemplo. Mas, ao mesmo tempo, eu consigo entender o lado de um país que queira barrar suas fronteiras para poder normalizar a economia e tudo o que está acontecendo aqui na vida das pessoas", declarou a estudante.

"Acaba sendo uma preocupação que eles estão tendo a mais. Ao meu ver, como joseense, brasileira, é triste, pois a gente não quer se sentir afastado. Mas acredito que as coisas vão melhorar e voltar ao normal, se Deus quiser"..