Com portas fechadas, os professores se viram obrigados a se reinventar e criar estratégias imediatas para que não haja prejuízos aos alunos neste período de isolamento. Apostando em ferramentas digitais, eles estão se tornando sensação. Priscila Voigt, professora de publicidade na faculdade Anhanguera, em São José, contou que seu dia a dia mudou bastante. "A nossa rotina era: preparar aulas, ir até a faculdade, encontrar os alunos para ministrar o conteúdo e tirar as dúvidas de forma presencial, além de aplicar e corrigir as provas e as atividades extras. Agora, precisamos passar por uma reorganização social e buscar uma forma de trabalhar em espaços mais tranquilos, em que seja possível apresentar o conteúdo sem grandes interferências", pontuou ela."São três horas de aula. Um dos grandes desafios é trabalhar o conteúdo de forma dinâmica, buscando trazer os alunos para que participem, tirem dúvidas e se mantenham atentos", dividiu.
Luz, câmera e ação.
Computador, microfone, lousa, câmera, tripé, chroma key, luz. A casa do pedagogo Pavel Popoff se tornou um verdadeiro estúdio. "Tive que testar e aprender a mexer em ferramentas diferentes como o aplicativo Zoom, as plataformas Hangouts, YouTube e Facebook. Além de programas que ajudam na gravação de aulas, como o OBS Studio (programa de streaming)", disse ele. "Nem as escolas nem os professores estavam preparados para essa nova situação. Dou aula em duas escolas e cada uma adotou uma estratégia diferente".No entanto, as aulas com apresentações de PowerPoint não foram suficientes para Popoff. "Instalei uma lousa na minha varanda e comecei a dar aulas em um formato mais tradicional. Mesmo assim, sabia que podia mais. Então comprei um tablet e agora tudo o que eu escrevo na tela aparece ao vivo para os alunos", disse.
O professor defende que o momento exige uma forma de aula invertida, na qual o jovem estuda o conteúdo primeiro e, durante o encontro, são tiradas as dúvidas.
Fora do Campo.
Da quadra para a telinha. Acostumado a ministrar aulas práticas, o professor de educação física do Sesi (Serviço Social da Indústria), unidade de Monte Alto-São Paulo,
Júlio César Rabaza, conta que, apesar de alguns impasses, está conseguindo manter um bom placar nas aulas a distância. "Encontrei certa adversidade com as ferramentas tecnológicas e as midiáticas, já que como professor de educação física utilizava tais recursos apenas em momentos oportunos. Outro fator de dificuldade é fazer com que a família também esteja junto nesta nova forma de ensinar", dividiu ele.
Segundo Rabaza, tudo é muito novo tanto para os educadores quanto para estudantes. Afinal, foi preciso deixar as corridas em volta da quadra para adaptar-se com sistema de vídeos, questionários, fóruns e chats. "Ninguém imaginou que iríamos viver um momento como este, mas estamos recebendo muito suporte do Sesi para passarmos por essa etapa", finalizou.n