11 de julho de 2026
Esportes

Águia na terra das touradas: as aventuras do São José em terras ibéricas há 31 anos

Por Marcos Eduardo Carvalho |
| Tempo de leitura: 3 min
São José na Espanha

Mais do que uma viagem, uma aventura. Que teve até mesmo uma tourada em Madri como atração. Esse é um pouco da histórica ida do São José à Espanha, em 1989, logo após ser vice-campeão paulista.

Se hoje a Águia do Vale amarga dias difíceis na Quarta Divisão, naquela época o time estava no auge. Era o primeiro clube da região a sair do país e que voltava invicto de uma excursão, onde simplesmente fez nove jogos em apenas 12 dias. Entre 17 e 29 de agosto daquele ano, o time do técnico Ademir Mello colecionou quatro troféus de campeão e três de vice, contra equipes da segunda e terceira divisões.

O goleiro Luiz Henrique, hoje com 61 anos, se lembra bem. Jogou todas as partidas e ainda pegou vários pênaltis. "Foi um 'auê'. O São José viajar para fora do país? Era uma coisa anormal, mas falei: 'bom, vamos ver o que vai dar. De graça, até o ônibus errado e seja tudo o que Deus quiser', lembra o goleiro ao OVALE.

"Foi uma confusão antes, todo mundo com ciúmes, querendo viajar, pois tinha muita gente para pouca passagem. Sei que colocaram meu nome no avião e fomos embora".

Luiz Henrique lembra ainda que, antes da Águia entrar em campo, os jogadores foram assistir a uma tourada em Madri. "Coisa que a gente nunca tinha visto na minha vida. Muito bonito, bacana, emocionante, mas eu achava que era uma coisa e era outra. O que eu adorei foi a banda. Se tivesse uma dessas em dia de jogos do São José, seria sensacional".

"E de lá nós partimos para os amistosos no interior. Disputamos nove jogos. Cada jogo tinha troféu".

O time viajava todos os dias: 50, 100 quilômetros de estrada, em ônibus. Cansativo. Mas inesquecível. "A gente era bem recebido no interior", conta.

Mas nem tudo são flores. E, durante a viagem, Luiz Henrique conta que os empresários atrasavam os bichos pelas vitórias e as diárias dos jogadores. "Mas era uma situação que a gente contornava", disse.

Apesar disso, guarda com carinho as lembranças da época e do então diretor de futebol Diede Lameiro. "Não me esqueço do Diede. Sou muito grato a tudo o que ele fez na minha vida", afirma Luiz Henrique, que hoje mora e Limeira e atua como preparador de goleiros.

Hoje com 54 anos e morando em Resende-RJ, onde trabalha no Colégio Salesiano, o lateral-direito Marcelo foi titular da Águia em todos os jogos na Espanha. "Foi um marco na minha vida. Primeiro, porque nunca tinha saído do Brasil. Foi meu primeiro voo. A excursão foi muito legal, conseguimos fazer um bom trabalho. Me lembro bem também que a gente quase não consegue trazer os troféus. Eram muitos", disse.

O jogador foi sondado pelo Mollerussa, um dos adversários do São José na Espanha, mas a diretoria da Águia não liberou. "Os torcedores receberam muito bem, pois eles gostam do povo brasileiro. Lembro que chegamos a Madri, fomos passear em alguns lugares e o pessoal pedia para tirar fotos com a gente. Foi uma recepção calorosa e bem acolhedora".

Pena que não ficaram muitos registros em imagens. "O Amarildo, ponta direita, comprou uma máquina fotográfica. Tiramos bastante fotos, em todos os lugares e quando fomos revelar, vimos que o Amarildo esqueceu de tirar a tampa da máquina. Aí, não saiu nenhuma foto nossa", conta.