O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, disse nesta sexta-feira que não acredita em uma possível estatização da Embraer - durante a pandemia, a fabricante de avião com matriz em São José dos Campos rompeu acordo de joint-venture com a norte-americana Boeing.
"O setor aéreo exige de nós uma atenção diferente. As empresas logísticas são fundamentais", disse em entrevista ao jornalista Fábio Zambelli, em webinar do site do Jota, onde também falou sobre a empresa joseense.
"Não acredito em uma estatização [da Embraer], absolutamente", afirmou. "A Embraer vai sofrer, é difícil operar em um mercado desses, porque os clientes quebram", ressalta.
Tarcísio de Freitas lembra ainda a importância estratégica da empresa. "A Embraer tem um segmento de defesa que é muito importante, e o Estado vai continuar fazendo as encomendas", afirmou.
"Em uma situação normal, já é difícil ser fabricante de avião. A dificuldade agora é mais severa", lembra o ministro, que mantém o otimismo sobre a fabricante de aviões. "Acho que a Embraer vai permanecer muito competitiva no setor da aviação executiva em função dos produtos, da engenharia que ela tem", ressalta.
"A chave toda está, no fim das contas, no desenho do nosso setor de aviação civil, para que a gente tenha encomenda", finaliza.
NOVA DUTRA.
Durante a conversa, o ministro da Infraestrutura também falou sobre a situação da Nova Dutra. Segundo ele, a concessionária responsável pela rodovia que corta a RMVale terá muito sucesso. "Nova Dutra vai ser um sucesso, estamos falando de R$ 30 bilhões entre São Paulo e Rio de Janeiro", afirmou.
"A gente fez a consulta pública da Nova Dutra. Fizemos uma série de modificações provenientes das contribuições que recebemos e antes de enviar para o TCU (Tribunal de Contas da União), decidimos fazer uma nova rodada com investidores", afirmou Tarcísio Freitas.
Empresa negocia créditos com BNDES e outros bancos em cerca de US$ 600 mil
A Embraer, que agora não terá mais a parceria com a Boeing, anunciou na semana passada uma negociação com bancos um pacote de resgate de cerca de US$ 600 milhões (cerca de R$ 4 bilhões) que incluirá apenas instrumentos de dívida, sem possibilidade de os credores ficarem com participação acionária na empresa. A empresa, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e outros bancos, no Brasil e no exterior, "estão discutindo propostas de financiamento, principalmente uma voltada para financiamento ao capital de giro para exportações (BNDES Pré-Embarque), que não altera o atual quadro acionário da Companhia, provendo capital de giro, reforço de capital e possibilitando a melhoria do perfil de endividamento", de acordo com nota divulgada pela empresa durante a semana.