O empresário Paulo Marinho prestou nesta terça-feira novo depoimento sobre o vazamento de operação da Polícia Federal para o senador Flávio Bolsonaro. Desta vez, o depoimento integra o inquérito no Supremo Tribunal Federal sobre a acusação do ex-ministro Sergio Moro de interferência política do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal.
Um dos principais aliados de Jair Bolsonaro na campanha eleitoral de 2018 e pré-candidato à Prefeitura do Rio, o empresário chegou à sede da PF no Rio por volta das 8h40 com um envelope em que estava escrito "conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará".
Segundo Paulo Marinho, Flávio Bolsonaro foi informado por um delegado da Polícia Federal, entre o primeiro e o segundo turnos da eleição de 2018, que seria deflagrada a Operação Furna da Onça, que continha um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sobre a movimentação atípica de R$ 1,2 milhão na conta de Fabrício Queiroz, então assessor de Flávio.
Por causa desse relatório, Queiroz passou a ser investigado por suspeita de operar um esquema de "rachadinha" — prática de devolução de parte dos salários dos funcionários — no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
Segundo o relato de Paulo Marinho, foi o próprio senador que o procurou para contar sobre o episódio do vazamento depois que o caso veio à tona em dezembro de 2018. Na ocasião, ele estava acompanhado do advogado Victor Granado Alves, seu então assessor parlamentar na Alerj.
O senador nega irregularidades e disse que a declaração do ex-aliado é "invenção de alguém desesperado e sem votos" e que Marinho tem interesse em prejudicá-lo porque é seu substituto no Senado.