666 equipamentos entregues, 1.173 em manutenção e 263 em fase de calibração. Esse é o resultado prévio de uma iniciativa do Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) - em parceria com 20 empresas e institutos de pesquisa do país -, cuja meta é consertar 3.600 respiradores mecânicos que estão fora de funcionamento no Brasil.
De acordo com a LifesHub Analytics e a Associação Catarinense de Medicina, no momento, dos 65.235 ventiladores pulmonares que há no país, mais de 3,6 mil estão fora de operação. Tais equipamentos são essenciais no tratamento de doentes que apresentam sintomas graves da Covid-19, uma vez que a Síndrome Respiratória Aguda Grave é um dos efeitos mais sérios da doença.
Ou seja, a iniciativa tem potencial de salvar 36 mil vidas (duas por mês por respirador, durante cinco meses) - segundo o Senai, cada respirador tem custo estimado de recuperação de R$ 5 mil e pode atender até dez pessoas.
Estima-se ainda que a ação gerará uma economia de R$18 milhões para o sistema público de saúde.
"Esta é uma agenda extremamente importante dado o cronograma crítico da Covid-19 e a necessidade determinante de ter o maior número de equipamentos com prontidão, em funcionamento", afirmou em nota Rafael Lucchesi, diretor-geral do Senai.
Força-tarefa.
ArcelorMittal, Fiat Chrysler Automóveis, Fio Cruz, Ford, General Motors, Honda, IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) e Poli-USP, Jaguar Land Rover, Mercedes-Benz do Brasil, Moto Honda, Renault, Scania, Toyota, Troller, Usiminas, Vale e Volkswagen do Brasil fazem parte da rede voluntária. A iniciativa conta ainda com apoio do Ministério da Saúde, do Ministério da Economia, da ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial) e da ABEClin (Associação Brasileira de Engenharia Clínica).
Numa força-tarefa, as indústrias participam ainda da logística de buscar os equipamentos quebrados, depois devolvê-los aos hospitais de origem.
Entre os 39 pontos de recebimento dos aparelhos está a planta da General Motors de São José dos Campos. "Mais de 65 empregados da GM voluntários estão envolvidos no processo e mais serão convidados a se juntar ao grupo conforme a demanda crescer", afirmou em nota Carlos Sakuramoto, gerente de Inovação da GM.
A Ford, que conta com uma fábrica em Taubaté, tem desenvolvido os trabalhos de manutenção nas instalações do Senai Cimatec, em Salvador (BA). Por lá, 12 voluntários das plantas de Camaçari (BA) e Horizonte (CE) se dedicam oito horas para o conserto de respiradores mecânicos. "Muitos empregados querem ajudar e contamos com a ação voluntária dessas pessoas, além das habilidades e conhecimentos técnicos que eles possuem", afirmou Daniel Camargo, gerente de Engenharia Veicular da Ford.
A Volkswagen do Brasil, que também possui fábrica em Taubaté, tem feito os consertos na unidade Anchieta, em São Bernardo do Campo (SP). "Estamos muito felizes em poder entregar as primeiras unidades recuperadas", ressaltou em nota Pablo Di Si, presidente e CEO da Volkswagen para a América Latina.
Desafios.
O principal desafio no conserto dos equipamentos tem sido a disponibilidade de peças. Graças a isso, a devolução de um aparelho pode levar até 30 dias.
"Alguns equipamentos apresentam problemas mecânicos, por exemplo, mangueiras do sistema pneumático soltas. Nesse caso, o reparo é rápido e o equipamento é liberado em menos de uma semana", afirmou Camargo, da Ford. "Vale ressaltar que, após o reparo, todos os respiradores são calibrados e liberados por uma empresa especializada neste tipo de equipamento, e só depois retornam para os hospitais com o certificado de calibração", continuou.
Em tempo, para Estados em que não há ponto de manutenção de equipamentos, o Senai fechou parceria com o Ministério da Defesa para transporte dos ventiladores mecânicos. Os estabelecimentos de saúde poderão enviar suas demandas de manutenção preenchendo o formulário disponível presente no site do Senai (www.portaldaindustria.com.br).n