09 de julho de 2026
Brasil

Dólar volta a subir e fecha a R$ 4,88, com mercado à espera de reunião do Fed; Bolsa recua

Por Agência O Globo |
| Tempo de leitura: 3 min
Dólar

Após um período de quedas, o dólar comercial voltou a subir nesta terça-feira. A moeda americana encerrou os negócios com valorização de 0,71%, valendo R$ 4,888. Os analistas apontam que a divisa americana volta a ganhar força uma vez que o mercado espera o resultado da reunião mensal do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA). Também pesa na alta um movimento de ajuste após as fortes e recentes quedas, com a moeda alcançando patamares de março.

No mercado acionário, o Ibovespa (índice de referência da Bolsa de São Paulo) recuou 0,92%, aos 96.746 pontos, acompanhando parte do mercado americano. Em Wall Street, Dow Jones e S&P 500 caíram, respectivamente, 1,09% e 0,78%. A Bolsa eletrônica Nasdaq destoou e subiu 0,29%, tendo alcançado os 10 mil pontos no meio da tarde pela primeira vez, mas fechando na faixa dos 9 mil.

A autoridade monetária começou sua reunião nesta terça e terminará o encontro amanhã. Além de decidir sobre o patamar de juros da economia americana (atualmente no intervalo entre 0% e 0,25%), Powell vai falar sobre as projeções econômicas do Fed. O mercado estima que não vai haver corte de juros nesta reunião.

"Nesta terça, o mercado está mais cauteloso após duas semanas de euforia, com Bolsas subindo e dólar caindo. Não há um grande fato que esteja corroborando para este cenário, o que acontece é uma revisão de expectativas", destaca Victor Beyruti, economista da Guide Investimentos.

Beyruti destaca que, além da forte recuperação nos últimos dias, pesam a reunião do Fed e as projeções mais recentes do Banco Mundial sobre o desemprenho da economia global neste ano:

"O mercado aguarda a decisão do Fed sobre os juros e o relatório de projeções econômicas, além de avaliar o dado do Banco Mundial de que o PIB global vai encolher 5,2%".

Mauricio Pedrosa, gestor da Áfira Investimentos, destaca que os investidores aproveitam esta terça para embolsar lucros das últimas duas semanas. O Ibovespa, por exemplo, subiu 13,98% entre 25 de maio e 8 de junho. O dólar, em igual período, caiu 11%.

"A alta desta terça é basicamente um movimento no qual os investidores de curto prazo aproveitam para embolsar lucros após as fortes altas registradas nas últimas duas semanas", destaca Pedrosa. "Este movimento, entretanto, ainda não apaga a perspectiva mais positiva do mercado, que segue monitorando dados econômicos e a reabertura de diversos países, principalmente Estados Unidos e entes da Europa".

Ainda na agenda internacional, a Arábia Saudita declarou que os cortes voluntários na produção diária de petróleo serão suspensos no fim de junho. Abdulaziz bin Salman, ministro saudita de Energia, ressaltou que a produção extra do país será direcionada para o mercado doméstico.

Diante deste cenário, o barril de petróleo tipo Brent (referência internacional) operou em queda na maior parte do dia, mas inverteu a tendência e registrava alta de 0,44% no fechamento do mercado brasileiro, negociado a US$ 40,98.

"O mercado tem como característica reagir de forma antecipada e exagerada aos prognósticos geopolíticos e sociais, então ele se preparou para o fim do mundo quando observou tombos nas Bolsas e economias paradas. Com uma leitura do mercado de que a recuperação é possível, vemos um movimento de recuperação. Mas, mesmo nesta toada, a oscilação entre ganhos e perdas continua forte", destaca Fernando Bergallo, sócio da FB Capital.

Destaques do Ibovespa

Diante de um dia no qual os investidores embolsam lucros, as principais ações listadas na Bolsa de São Paulo operam sem uma tendência definida.

Os papéis ordinários (ON, com direito a voto) e preferenciais (PN, sem direito a voto) da Petrobras recuam.

Petrobras ON: -0,48% Petrobras PN: -3,6%

O setor bancário, de maior peso no Ibovespa, fechou sem tendência definida.