A Opas (Organização Pan-americana da Saúde) alertou que a evolução do coronavírus no Brasil pode tornar a pandemia no país mais longa do que observada em regiões como a Europa. O continente americano já soma 204 mil mortes e 3,8 milhões de casos confirmados — cerca de 54% nos EUA e 23%, no Brasil, que também concentra 21% das mortes na região.
"Estamos vendo os casos aumentarem e a pandemia ainda não atingiu seu pico na América Latina. Uma onda expressiva da doença é esperada para o inverno local. Se as medidas de recomendação da OMS e OPAS não forem reforçadas (no Brasil), a pandemia pode durar muito mais no país do que vimos na Europa", afirmou um dos diretores da organização, Marcos Espinal, ressaltando as diferenças demográficas e sociais que limitam a comparação da trajetória do vírus em países europeus e latinos.
Com aproximadamente 44 mil mortes até agora, o Brasil é o segundo país com mais óbitos por Covid-19 no continente, seguido por México, com 8,3% das fatalidades (17.141 mortes), Canadá com 3,9% (8.146) e Peru com 3,2% (6.688).
Ainda segundo dados da Opas e OMS, o Chile possui 1,6% das mortes nas Américas (3.362), a Colômbia 0,8% (1.667), Argentina, 0,4% (842) e Bolívia 0,2% (611 mortes). Venezuela e Paraguai tem até agora 25 e 12 óbitos pela doença, de acordo com a estatística dos órgãos.
A reabertura da economia e flexibilização das medidas de isolamento social no Brasil, em meio ao crescimento da curva de contágio, preocupam especialistas da organização:
"Ao contrário de regiões americanas como NY, que já apresentam declínio nos casos, não estamos vendo a transmissão cair no Brasil", alertou a médica e diretora geral da agência, Carissa Etienne.
A organização ressaltou ainda que a opção pela reabertura por países como o Brasil deve ser feita em fases controladas, com forte sistema de rastreio e isolamento de casos, além de medidas de isolamento adequadas e manejo coordenado de leitos de UTI pelo serviço nacional de saúde e emergências hospitalares.
Fronteiras com Brasil preocupam organização
As restrições em fronteiras devem ser mantidas pelos países vizinhos, uma vez que a região ainda não atingiu o pico da doença, disseram os especialistas. A Opas manifestou preocupação com o com o aumento no número de casos de Covid-19 nestas regiões fronteiriças.
"Há uma tendência preocupante de aumento na transmissão em áreas como a Guiana Francesa, em que os casos foram de 140 para 1.326 em apenas um mês, num período que coincide com aumento de casos na sua fronteira com o estado do Amapá", informou Etienne.
A agência alertou também para aumento de casos nas fronteiras entre Brasil e Colômbia, Haiti e República Dominicana, Costa Rica e Nicarágua e EUA e México. "Nossa maior tarefa é garantir que através dessas fronteiras os imigrantes também tenham acesso aos cuidados necessários sem estigmas ou preconceitos", disse a diretora.