10 de julho de 2026
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Edutubers: mestres viram nova sensação nas redes sociais

Por Bárbara Stephanie Monteiro |
| Tempo de leitura: 3 min
Professor se diverte com as aulas

Com portas fechadas, os professores se viram obrigados a reinventar-se e criar estratégias imediatas para que não haja prejuízos acadêmicos aos alunos neste período em que as escolas estão proibidas de realizar suas atividades de forma presencial. Apostando em ferramentas digitais, os educadores estão incrementando seus currículos com uma nova “profissão”: os novos youtubers! Com aulas virtuais (em tempo real ou gravadas), plataformas na web, grupos de WhatsApp, os alunos têm recebido em casa as matérias.

Entretanto, oferecer as aulas virtuais tem seus desafios. Priscila Voigt é professora do curso de Publicidade da faculdade Anhanguera, em São José dos Campos. Ela contou que seu dia a dia mudou bastante. “A nossa rotina era: preparar aulas, ir até a faculdade, encontrar os alunos para ministrar o conteúdo e tirar as dúvidas de forma presencial, além de aplicar e corrigir as provas e as atividades extras. Agora, precisamos passar por uma reorganização social e buscar uma forma de trabalhar em espaços mais tranquilos, em que seja possível apresentar o conteúdo sem grandes interferências”, pontuou.

“São três horas de aula. Um dos grandes desafios é trabalhar o conteúdo de forma dinâmica, buscando trazer os alunos para que participem, tirem dúvidas e se mantenham atentos”, dividiu. “Na área de comunicação ainda estamos mais acostumados a lidar com câmeras, mas acredito que para muitos professores a dificuldade é deixar a timidez de lado, assim como saber lidar com novas ferramentas de comunicação digital”.

LUZ, CÂMERA E AÇÃO.

Computador, microfone, lousa, câmera, tripé, chroma key, luz. A casa do pedagogo Pavel se tornou um verdadeiro estúdio. “Tive que testar e aprender a mexer em ferramentas diferentes como o aplicativo Zoom, as plataformas Hangouts, youtube e facebook. Além de programas que ajudam na gravação de aulas, como o OBS Studio (programa de streaming)”, disse ele. “Nem as escolas e nem os professores estavam preparados para essa nova situação! Dou aula em duas escolas e cada uma adotou uma estratégia diferente”.

“Conheço pessoas que ministram aulas em quatro escolas, e cada uma com um formato diferente. Como o EaD (Ensino à distância) acaba sendo mais burocrático, imagina se adequar a quatro formas de dar aulas on-line? Tenho trabalhado o triplo do normal”, confessou o pedagogo. As aulas com apresentações de PowerPoint não era o suficiente para Pavel. “Instalei uma lousa na minha varanda e comecei a dar aulas em um formato mais tradicional. Mesmo assim, sabia que podia mais. Queria ousar mais na tecnologia que a aula online permite. Por isso, comprei um tablet e agora tudo o que eu escrevo na tela aparece ao vivo para os alunos e este sistema tem funcionado”, disse.

O professor defende que o momento exige uma forma de aula invertida, na qual, o jovem estuda o conteúdo primeiro e durante o encontro com o orientador são abordados apenas os pontos fundamentais da matéria, a resolução de exercícios e utilizar deste contato para tirar dúvidas. “Mas vamos combinar… a aula online jamais vai substituir o “olho no olho”, cravou.

FORA DO CAMPO.

Da quadra para telinha. Acostumado a ministrar aulas práticas, o professor de educação física da rede Sesi (Serviço Social da Indústria), unidade de Monte Alto - São Paulo, Júlio César Rabaza, confessa que apesar de alguns impasses está conseguindo manter um bom placar nas aulas a distância. “Encontrei certa adversidade com as ferramentas tecnológicas e as midiáticas, como professor de educação física utilizava tais recursos apenas em momentos oportunos. Outro fator de dificuldade é fazer com que a família também esteja junto nesta nova forma de ensinar”, dividiu ele.

Segundo Rabaza, tudo é muito novo tanto para os educadores como para os estudantes. Deixando as corridas envolta da quadra para adaptar-se com sistema de vídeos, questionários, fóruns e chats. “Ninguém imaginou que iriamos viver um momento como este, mas estamos recebendo muito suporte do Sesi para passarmos por essa etapa”, finalizou.