11 de julho de 2026
Esportes

Preocupado com o pós-pandemia, Serginho afirma que o vôlei 'respira por aparelhos'

Por Agência O Globo |
| Tempo de leitura: 3 min
Serginho

Depois que a Superliga de vôlei foi paralisada e posteriormente encerrada por causa da crise do coronavírus, a rotina de Serginho Dutra tem sido a mesma de muitos brasileiros em isolamento social. Em casa, ele aproveita a família após se aposentar e relembra as conquistas que o tornaram referência no esporte. Depois de viver anos de glória com a seleção brasileira, o ex-líbero teme pelo futuro da modalidade pós-pandemia.

Aos 44 anos, Serginho anunciou no mês passado a sua aposentadoria após quase três décadas de carreira e 15 anos de seleção. Seu último jogo foi em 7 de março, vestindo a camisa do Ribeirão Preto na vitória por 3 sets a 2 sobre o Minas, em Belo Horizonte, pela Superliga Masculina.

Agora do lado de fora das quadras, ele analisa a nova geração do vôlei brasileiro, e convoca outros ídolos para lutarem pela modalidade , que, segundo ele, "respira por aparelhos".

Pensa em seguir no vôlei como dirigente ou treinador?

No momento não penso em nada, até porque está tudo parado por causa da pandemia que vivemos. Quando as coisas voltarem ao normal eu vou contribuir para a modalidade, sem dúvidas, mas ainda não sei como.

Por que decidiu parar agora? De alguma forma a pandemia influenciou?

É uma decisão que já estava programada, e o momento chegou. Já tinha isso na cabeça, ainda mais com 44.

Acredita que as próximas gerações de líberos da seleção serão sempre comparadas com você?

Eu espero que não tenha comparações, cada jogador tem sua qualidade, cada um tem sua história. Temos que respeitar os jogadores que vestem a camisa agora. A comparação não me incomoda, mas talvez isso coloque uma pressão desnecessária nos jogadores de hoje.

Como se sente por ser considerado uma referência na posição de líbero?

A forma como me entreguei abriu as portas para muitos jogadores considerados baixos e que se deram bem como líberos. Fico feliz de ter contribuído nesse sentido, ver o jogadores com a 10 e reproduzindo jogadas que eu fazia antigamente. Mas não fiz nada sozinho. Só existiria o Serginho se tivesse o Maurício, o Giovani, Giba, Dante, Rodrigão... compartilho as minhas glorias com todos eles.

Depois de tantos anos, consegue eleger o momento mais marcante que o vôlei te proporcionou?

Acho que todos os títulos conquistados e perdidos marcaram a minha vida, mas não posso deixar de citar a Rio-2016, que fechou o meu ciclo na seleção.

Como você vê as categorias de base e a renovação da seleção?

Tanto no masculino quanto no feminino, temos boas seleções, mas as categorias de base me preocupam. Alguns clubes fazem trabalho de base sérios, como o Minas, Pinheiros, Sesc-SP, mas é pouco para um país tão grande. Acho que é uma geração abaixo tecnicamente do que precisamos.

Como você enxerga o futuro do vôlei nacional pós pandemia?

Estou preocupado demais com alguns times acabando, patrocinadores saindo, jogadores indo para a Europa, ídolos indo embora. Precisamos fazer alguma coisa para reverter essa situação. O voleibol está em estado crítico. Vai cair drasticamente o nível técnico da Superliga. Tem que esperar a pandemia passar. Mas alguns clubes podem não continuar por questões financeiras. Acredito que o pior ainda está por vir.

Que mensagem você deixa para os tentam seguir seus passos no vôlei?

É muito fácil falar do legado jogando voleibol, da postura dentro de quadra, mas o importante é ser vencedor na vida. O voleibol hoje respira por aparelhos, e grandes nomes precisam se juntar para resgatar tudo para que as pessoas vivam dignamente do voleibol. Mas não quero que ninguém fique triste com a minha aposentadoria, ao invés disso, vai jogar vôlei. Não preciso de homenagens.