A pandemia da Covid-19 tem feito a população mundial reinventar hábitos, suprimindo alguns e alterando outros. Mas, paralelamente à adequação da rotina para minimizar os riscos de contaminação pelo novo coronavírus, alguns comportamentos podem ser mantidos com tranquilidade. É o caso da leitura do velho e bom jornal de papel ou revista, entregues na porta de casa: estudos e especialistas atestam que a probabilidade de contaminação por essa via — respeitadas as recomendações de higiene — é quase nula.
"Os leitores não precisam ficar apreensivos porque o risco é mínimo. Se pensarmos, por exemplo, no tempo que o jornal leva para ser transportado da gráfica até a casa das pessoas, o vírus perderia completamente sua capacidade infecciosa. E ainda seria absorvido pelo papel do jornal, que é poroso" explica Luciana Costa, diretora-adjunta do Instituto de Microbiologia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).
Segundo estudo realizado pelo Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos em conjunto com universidades californianas e a Universidade de Princeton, publicado em março no New England Journal of Medicine , o Sars-CoV-2 dura mais tempo em superfícies lisas e não porosas, o que não é o caso do jornal.
Além disso, é necessária uma grande quantidade de vírus para que a contaminação ocorra, como explica Mário Oliveira, mestre em microbiologia médica pela Universidade Estadual do Ceará: "Seria preciso que a superfície do jornal tivesse tido um contato muito severo com muita gente que estivesse expelindo várias partículas carregadas de vírus. Uma conjunção de fatores improvável".
Jornais como O GLOBO vêm adotando há meses uma série de cuidados em todo o processo de produção do jornal, da Redação até a chegada de seu exemplar em casa. Procedimentos foram revisados após consultas a especialistas e trocas de informações com as principais publicações do mundo.
A principal medida adotada foi reduzir ao mínimo o contato humano na produção dos exemplares, ampliando a automatização dos processos. A higienização e o uso de equipamentos de isolamento, que já eram praxe, foram reforçados. Também foram adotados cuidados na distribuição, com a elaboração de um protocolo de higiene para entregadores e carros de transporte.
Diante da preocupação envolvendo os jornais, no final de março, a International News Media Association, uma das mais respeitadas organizações de mídia do mundo, divulgou um comunicado afirmando que, de acordo com médicos e cientistas, ainda não haviam sido registrados casos de transmissão do novo coronavírus por meio de contato com jornal ou revistas impressos.
"Não há motivo para pânico. Leiam seus jornais tranquilamente. Depois, deve-se lavar as mãos", diz Viviane Alves, doutora em microbiologia e professora da UFMG.