As dificuldades impostas por diversas prefeituras atingiram em cheio a pesquisa EPICOVID-19, que busca estimar o tamanho do contágio da doença no Brasil. Além de estender o tempo de duração do trabalho de campo, o levantamento não conseguirá fazer a quantidade de testes prevista inicialmente para a primeira de suas três fases. Ao invés dos 33.250 planejados, cerca de 25 mil pessoas serão testadas.
Com esta redução, o total de 99.750 testes estimado não deve ser alcançado. A não ser que haja uma redistribuição nas etapas seguintes. Nenhuma readequação futura, no entanto, ainda foi anunciada.
As limitações também atingiram a duração do trabalho de campo. Iniciado na última quinta (dia 14), ele iria até o sábado. Mas os atrasos gerados pelos contratempos levaram a coordenação do estudo a adiar a conclusão para o domingo. Em seguida, ela foi postergada para terça. Por fim, foi definido que o período de coleta vai até esta quinta. Ou seja: terão sido oito dias de pesquisa.
Até esta quarta, apenas em três estados a pesquisa já havia sido concluída: Amazonas, Acre e Sergipe. No entanto, no Amapá, no Tocantins e no Rio Grande do sul os índices estão próximos de 100%. O Distrito Federal e o Paraná vem em seguida como os mais avançados.
SP e RJ abaixo dos 60%Os estados em que a situação é mais crítica são Pernambuco, Mato Grosso, Rio Grande do Norte e Paraíba. Nos três mais populosos do país, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais apenas no último os pesquisadores conseguiram ultrapassar a marca de 60% de testes realizados.
Manaus foi a primeira capital na qual o trabalho foi concluído. Os resultados permitiiram aos pesquisadores apontar em mais de 200 mil o número de pessoas que já tiveram contato com o SARS-CoV-2. Ao todo, 250 testes foram realizados na cidade. Destes, 27 deram positivo. Com base nesses dados, é possível estimar que um em cada 10 manauaras já tenha sido contaminado pelo novo coronavírus.
As dificuldades foram encontradas em 52 dos 133 municípios. Em Santarém (PA), por exemplo, a polícia levou a equipe da pesquisa para a delegacia e apreendeu os testes para Covid-19. O mesmo aconteceu em locais como São José dos Campos (SP), São Mateus (ES), Imperatriz (MA), Picos (PI), Patos (PB), Natal (RN), Crateús (CE), Serra Talhada (CE), Rio Verde (GO), Cachoeiro do Itapemirim (ES) e Caçador (SC). Já em Presidente Prudente (SP), Guarapuava (PR) e Cáceres (MT), autoridades municipais alegaram que precisavam liberar a realização da pesquisa, o que gerou atraso no início dos testes
O estudo foi encomendado pelo Ministério da Saúde à Universidade Federal de Pelotas. A instituição gaúcha coordena um projeto semelhante no Rio Grande do Sul. Além de ter providenciado os 100 mil kits de testes, o governo federal liberou R$ 12 milhões para financiar a pesquisa. Com esse dinheiro, foi possível contratar o serviço do Ibope, responsável pelos entrevistadores que estão nas ruas.