Uma perícia contratada pelo jornal Folha de S.Paulo mostra uma série de elementos de autenticidade na gravação de áudio atribuída ao procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, e divulgada pelo The Intercept Brasil no último dia 9.
No arquivo de som disponibilizadopelo Intercept, Deltan diz que a proibição de entrevista do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao jornal Folha de S.Paulo, no ano passado, era "uma notícia boa".
Segundo o parecer técnico elaborado pela empresa especializada em perícias IBP (Instituto Brasileiro de Peritos), não foram encontrados vestígios de descontinuidades ou eventos acústicos que indiquem a existência de cortes, inserções ou modificações no áudio.
A reportagem ainda informa que, com base em métodos de fonoaudiologia forense, a perícia indica semelhança entre a voz que consta no registro divulgado pelo Intercept e uma amostra de voz obtida a partir de uma entrevista com Deltan publicada também no Youtube, assim como a gravação desse áudio.
VERDADEIRO.
Diferentemente do que disse há mais de uma mês, o procurador da República Deltan Dallagnol admitiu que "parte" do conteúdo das mensagens reveladas pelo The Intercept Brasil são verdadeiras. No entanto, disse que não pode provar que os supostos trechos que são falsos porque apagou todo o histórico de conversas do aplicativo Telegram.
Sem citar quando surgiu esta suposta ordem, Dallagnol afirma que "por recomendação institucional nós encerramos os aplicativos e isso apagou as mensagens no celular e na nuvem".
Ele diz que lembra "sim, de assuntos que comentamos, mas estamos falando de cinco anos altamente intensos com centenas de milhares de mensagens", e por isso, "é impossível lembrar de detalhes". Mas apesar de dizer que não se lembra, Dallagnol citou alguns exemplos que, para ele, indicam a possibilidade de adulterações.
MANUELA D'ÁVILA.
Preso pela Polícia Federal por suspeitas de ter hackeado as contas no Telegram de diversas autoridades públicas, Walter Delgatti Neto contou em seu depoimento que a ex-deputada federal e candidata à vice-presidência em 2018 Manuela D'Ávila (PCdoB-RS) teria sido a pessoa que o colocou em contato com o jornalista Glenn Greenwald, do site The Intercept Brasil.
O Intercept começou a publicar em junho reportagens com diálogos entre o ministro Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública) e procuradores da Operação Lava Jato no Paraná, entre eles Deltan Dallagnol. O site nunca revelou qual foi a fonte das mensagens.
No depoimento, obtido pela TV Globo e pela revista Veja e cuja veracidade Delgatti Neto afirma à PF que não recebeu nenhum pagamento pela entrega das mensagens ao Intercept.
Até fechamento desta edição, Manuela D'ávila ainda não havia se pronunciado sobre o assunto divulgado nesta sexta-feira..