"Muito ruins" e tirados do "Google", essas são algumas das opiniões dos procuradores da Lava Jato em Curitiba a respeito das informações do ex-ministro Antonio Palocci entregues à Justiça para obter um acordo de delação premiada. As mensagens, trocadas pelo aplicativo Telegram, foram obtidas pelo The Intercept Brasil e divulgadas nesta segunda-feira, pelo jornal Folha de S.Paulo, que também analisa o material.
Os primeiros trechos são do dia 16 de maio de 2017, quando a defesa de Palocci deu início às negociações para um acordo de delação premiada com os procuradores da Lava Jato. O ex-ministro estava preso desde setembro de 2016.
Inicialmente, os procuradores pareciam animados com a intenção de Palocci em colaborar com as investigações.
"Creio que precisamos trabalhar a extração de anexos com muito cuidado, pois a crença geral é que o Palocci sabe muita coisa. Assim, o melhor é fazermos um filtro criterioso para não sermos usados por ele. Ele já mostrou que é perigoso", escreveu um procurador que, no material obtido pelo Intercept, não é identificado, pois aparece no grupo do Telegram com o número de telefone.
A Folha conta que, de acordo com as mensagens analisadas, os procuradores se reuniram com os advogados de Palocci pelo menos 14 vezes, em Brasília e Curitiba, entre maio de 2017 e janeiro de 2017.
Quatro meses depois do início das negociações, o grupo já apresentava insatisfação com as provas entregues pelo ex-membro do Partido dos Trabalhadores.
No dia 22 de setembro de 2017, o procurador Antônio Carlos Welter escreveu aos colegas: "Meus caros, Estamos conversando com o Palocci e seus advogados há alguns meses já. Tivemos um início um pouco penoso, até que a coisa parece ter engrenado. A colaboração dele pode ser muito útil, sobretudo porque ele esteve ou no governo ou muito próximo por cerca de 14 anos".
O procurador ainda revelou que, do seu ponto de vista, Palocci trazia "aspectos interessantes", em seus anexos "relativos a fundos de pensão" de algumas instituições financeiras, entre elas do Banco Central e do Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), do Ministério da Economia.
"Os anexos ainda precisam ser melhorados, seja no que diz respeito a conteúdo, seja aos elementos de corroboração, que em alguns casos são poucos", prosseguiu completando que o material tinha "potencial para esclarecer a parte patrimonial de vários dos investigados, especialmente aqueles ligados ao PT".
A aposta de Carlo Welter, entretanto, não se confirmou. Oito meses depois do início das conversas com os advogados de Palocci, em janeiro de 2018, a Procuradoria-Geral da República cobrou uma definição à força-tarefa da Lava Jato. Foi quando os procuradores voltaram a discutir o caso analisando que não havia mais motivos para insistir nas negociações com o ex-ministro..