08 de julho de 2026
Ideias

economia dá trabalho

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carteira de trabalho

Depois de três meses consecutivos cortando vagas de emprego, a indústria do Vale do Paraíba gerou 350 vagas no mês de junho. Os dados são do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo). Trata-se do melhor mês desde julho do ano passado, além de ser o melhor junho dos últimos cinco anos.

É uma boa notícia no deserto de boas novas para o mercado da região, um dos mais importantes polos industriais, que não de hoje vem sofrendo com os efeitos da crise econômica que atinge o país desde 2014.

Importante, claro, mas é bom por os pés no chão, ainda mais com esse efeito gangorra -- um mês sobe, no outro desce. Falta consistência, constância.

O resultado de junho é positivo, mas é preciso deixar claro que ainda é muito pouco.

O saldo deste ano ainda é negativo no setor: no acumulado desde primeiro semestre, a região perdeu 450 empregos na indústria -- no acumulado dos últimos 12 meses, foram 1.400 vagas perdidas. O resultado é inverso ao estado, que tem 13 mil vagas fechadas em junho, mas com saldo ainda positivo de 2,5 mil empregos em São Paulo no acumulado do ano.

Além disso, outros importantes setores econômicos, como serviços e comércio, entre outros, também estão perdendo empregos, como um efeito cascata graças ao impacto causado pela crise na indústria.

"Para sair da crise, o país precisa de novos investimentos, e isso não vem ocorrendo há bastante tempo. Há uma desconfiança na política econômica dos governos", aponta o economista Edson Trajano, em entrevista ao editor de Economia de OVALE, Xandu Alves, fazendo uma análise clara sobre a realidade do Brasil.

Dois anos após a reforma trabalhista, que chegou a ser alardeada como tábua de salvação, o país vê um governo que, economicamente, não atendeu às expectativas na área econômica (como em outras tantas), frustrando sociedade e mercado, que acreditavam na retomada econômica, crescimento do PIB e geração de vagas.

Até mesmo na proposta de reforma da Previdência, principal pauta neste início de mandato, o governo conseguiu ter um papel secundário -- o Congresso, aproveitando-se do vácuo deixado pelo Poder Executivo, assumiu as rédeas do processo.

Hoje, já são mais de 13 milhões de trabalhadores brasileiros desempregados. Colocar a comida na mesa todos os dias tornou-se um desafio. Emprego é coisa séria, e necessita urgentemente ser tratado como tal.

Com um governo sem ideiais, a retomada da economia e dos empregos vai dar trabalho..